terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Barão Vermelho retorna sem Frejat e com Rodrigo Suricato no vocal
terça-feira, janeiro 17, 2017


O Barão Vermelho anunciou, nesta terça-feira (17), que retomará suas atividades sem o vocalista e guitarrista Roberto Frejat. Em seu lugar, entra o vocalista e guitarrista Rodrigo Suricato, da banda Suricato.

Um dos grandes nomes do rock nacional, o Barão Vermelho estava em hiato desde 2013. Enquanto isso, Roberto Frejat seguia em carreira solo, cujo grupo de apoio conta, inclusive, com o tecladista do Barão, Maurício Barros. Frejat, Barros e o baterista Guto Goffi são membros fundadores do grupo. Em 1985, quando o vocalista Cazuza saiu da formação, foi Frejat quem assumiu os vocais, posto que não havia deixado até agora.

Em entrevista ao jornal O Globo, Frejat explicou a sua decisão de sair do Barão Vermelho. "Já fiz o que tinha que fazer com o Barão, mas percebi que as pessoas queriam que os shows acontecessem com mais regularidade. E, se eles queriam continuar, não fazia sentido impedi-los. Temos diferenças de visão, mas jamais iria prejudicá-los. E o Rodrigo é um menino talentoso, bacana", disse.

Veja também: No início dos anos 90, a fase mais roqueira do Barão Vermelho

Ainda ao jornal O Globo, Maurício Barros contou como foi a chegada de Rodrigo Suricato ao Barão Vermelho. "A gente gravou, no camarim, o Rodrigo tocando violão e cantando ´Flores do mal´, do Barão. Mostrei isso pro Guto, e ele gostou muito", afirmou.

Rodrigo Suricato comentou, também ao O Globo, que é fã de Barão Vermelho desde criança. "Por ter começado a tocar guitarra antes de cantar, tive no Frejat um ídolo. Passei um bom tempo nos bares do Rio tocando as músicas do Barão em bandas cover, vendo a reação das pessoas, e aí fui me apropriando daquele repertório. Quando entramos no estúdio para fazer um som, de cara saíram 19 músicas, só de memória afetiva", disse.

A partir de maio, a agenda dos músicos fica reservada ao Barão Vermelho. Antes, cada um se dedica a seus projetos - Rodrigo, inclusive, não deixou o Suricato, com quem se apresenta no festival Lollapalooza em março. No futuro, a ideia também é trabalhar em um disco de músicas autorais.

Journey: em 1991, o último show com Steve Perry
terça-feira, janeiro 17, 2017

Foto: Tim Mosenfelder / Getty Images
O último show de Steve Perry como vocalista do Journey ocorreu em uma situação, no mínimo, curiosa.

A apresentação, com menos de dez minutos de duração, ocorreu em um evento promovido em memória de um empresário do showbusiness, Bill Graham. A performance, ocorrida em 3 de novembro de 1991, foi realizada quase cinco anos depois do último show completo do Journey, em 1° de fevereiro de 1987, na "Raised On Radio Tour".

Naquele período, o grupo vivenciava um hiato - justamente em um de seus grandes momentos comerciais, visto que "Raised On Radio" havia feito sucesso e os álbuns anteriores são os maiores clássicos da discografia do grupo. Todavia, a pausa foi interrompida especificamente para aquela situação, que havia reunido 300 mil pessoas no Golden Gate Park, em San Francisco, Estados Unidos.

Somente três músicas foram tocadas pelo Journey na ocasião. "Faithfully", "Lonely Road Without You" e "Lights" foram as escolhidas.



A vibe negativa, causada, obviamente, por ser um show em memória de uma pessoa recém-falecida, foi acrescida de um elemento ainda mais estranho: a performance contou apenas com Steve Perry nos vocais, Neal Schon na guitarra e Jonathan Cain nos teclados. O baixista Randy Jackson e o baterista Mike Baird, que estavam na formação mais recente do grupo até então, não compareceram.

O hiato do Journey durou até 1995, quando o grupo, enfim, optou por se reunir para lançar "Trial By Fire" (1996). O álbum seria acompanhado de uma turnê, mas Steve Perry machucou o quadril enquanto caminhava no Havaí, no verão de 1997. Ele precisou de uma cirurgia - a qual ele se recusava a fazer - e os demais membros do Journey decidiram seguir com outro vocalista, Steve Augeri.

Desde então, o Journey seguiu sua trajetória. Steve Augeri foi substituído por Jeff Scott Soto, que logo de lugar a Arnel Pineda. Já Steve Perry se manteve recluso nas últimas décadas, acometido por outros problemas de saúde (ele chegou a ter câncer de pele) e confortável em uma vida sustentada por royalties e glórias do passado.

Baterista diz que ficaria feliz com reunião do Silverchair
terça-feira, janeiro 17, 2017


O baterista Ben Gillies disse, em entrevista ao The Herald, que gostaria de ver o Silverchair reunido. Para ele, o fim do grupo não foi, de fato, um "fim" legítimo.

"Se o Silverchair fizer algo novamente, será sensacional, mas se ou quando isso acontecerá, não sei. O momento em que a banda foi abandonada, é como se não tivesse um real fim. Acho que ficamos no caminho do capítulo 8 de um livro com 12 capítulos", afirmou. O grupo está em hiato desde o ano de 2011.

Ele também falou sobre a sua relação com a música e com o Silverchair. "O Silverchair é uma grande parte do que fiz com meu tempo. A magia de uma banda vem a partir das pessoas na banda. Fora daquilo, seja no Silverchair ou em qualquer lugar, você deve ter uma relação pessoal com a música", disse.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Alice Cooper fará show no Rock In Rio 2017, diz jornal
segunda-feira, janeiro 16, 2017


Alice Cooper será uma das atrações do Rock In Rio 2017. Quem garante a informação é José Norberto Flesch, do Destak Jornal.

As datas das apresentações não foram confirmadas pela apuração. O festival  acontece nos dias 15, 16, 17, 21, 22, 23 e 24 de setembro do próximo ano.

Outros artistas confirmados para o Rock In Rio 2017 são Bon Jovi, Billy Idol, Maroon 5, Red Hot Chili Peppers e Aerosmith. Guns N' Roses, Lady Gaga, Shawn Mendes e Alter Bridge têm sido especulados.

Saiba quais as músicas mais tocadas nas rádios do Brasil em 2016
segunda-feira, janeiro 16, 2017


O sertanejo domina 90 posições da lista de 100 músicas mais tocadas nas rádios brasileiras em 2016. A informação é da Crowley, que faz o levantamento anualmente.

"Seu polícia", de Zé Neto e Cristiano, foi a música mais tocada nas rádios do Brasil em 2016. "Infiel", de Marília Mendonça, e "Pronto falei", de Eduardo Costa, ocupam, respectivamente, a segunda e terceira posições da lista.

Os outros estilos musicais perderam força com o domínio do sertanejo. Apenas nove músicas fora do gênero em questão estiveram presentes no ranking. A que está em melhor posição é "Cancun", de Thiaguinho, na 20ª colocação.

Assim como em 2015, não há nenhum representante do rock, seja nacional ou internacional, na lista do último ano. Veja o top 100 completo:

01. Zé Neto & Cristiano, Seu Polícia (Ao Vivo)
02. Marília Mendonça, Infiel (Ao Vivo)
03. Eduardo Costa, Pronto Falei
04. Marcos & Belutti part. Fernando Zor, Romântico Anônimo
05. Maiara & Maraisa, Medo Bobo
06. Victor & Leo, Vai Me Perdoando
07. Jorge & Mateus, Sosseguei
08. Naiara Azevedo part. Maiara & Maraisa, 50 Reais (Ao Vivo)
09. Henrique & Diego, Esqueci Você (Ao Vivo)
10. Gusttavo Lima, Que Pena Que Acabou (Ao Vivo)
11. Henrique & Juliano, Como é que a Gente Fica
12. Matheus & Kauan, O Nosso Santo Bateu
13. Bruno & Barretto, 40 Graus de Amor (Ao Vivo)
14. Lucas Lucco, Batom Vermelho
15. Thaeme & Thiago, Pra Ter Você Aqui (Ao Vivo)
16. Gusttavo Lima, Homem de Família
17. Zé Neto & Cristiano, Sonha Comigo
18. Maiara & Maraisa, 10%
19. João Neto & Frederico part. Jads & Jadson, Vício
20. Thiaguinho, Cancun (Ao Vivo)
21. Wesley Safadão, Coração Machucado (Ao Vivo)
22. Michel Teló, Chocolate Quente (Ao Vivo)
23. Thiaguinho, Vamo Que Vamo (Ao Vivo)
24. Simone & Simaria, Quando o Mel é Bom (Ao Vivo)
25. Michel Teló, Não Tem Pra Ninguém
26. Luan Santana, Eu, Você, o Mar e Ela
27. Henrique & Juliano part. Marília Mendonça, A Flor e o Beija-Flor (Ao Vivo)
28. Leonardo, Pergunte ao Dono do Bar
29. Zé Felipe part. Ludmilla, Não me Toca
30. Luan Santana, Cantada (Ao Vivo)
31. Bruninho & Davi, Beija-Flor me Beija
32. Marília Mendonça, Eu Sei de Cor
33. Henrique & Juliano, Na Hora Da Raiva
34. João Bosco & Vinicius part. Henrique & Juliano, Deixa a Gente Quieto
35. Jads & Jadson, Zé Trovão
36. Bruno & Barretto, To Pouco Me Lixando
37. Jads & Jadson, Se Toca Essa Moda
38. Simone & Simaria, 126 Cabides
39. Marcos & Belutti, Tão Feliz
40. Matheus & Kauan, Decide Aí
41. Jorge & Mateus, Louca de Saudade (Ao Vivo)
42. Lucas Lucco, Só Não Deixa eu Tomar Birra
43. Bruno & Marrone & Chitãozinho & Xororó, Você me Trocou
44. Luan Santana, Chuva de Arroz (Ao Vivo)
45. Bruninho & Davi part. Luan Santana, E Essa Boca Aí? (Ao Vivo)
46. Loubet, Vira Lata (Ao Vivo)
47. Zé Felipe, Maquiagem Borrada
48. Fernando & Sorocaba, Casa Branca (Ao Vivo)
49. Humberto & Ronaldo part. Jorge & Mateus, Carência (Ao Vivo)
50. Paula Fernandes, Piração
51. João Gustavo & Murilo, Fecha o Porta Mala
52. Anitta part. Maluma, Sim ou Não
53. Cesar Menotti & Fabiano, Cachorro de Rua
54. Munhoz & Mariano, Amor a 3 (Ao Vivo)
55. Matheus & Kauan, A Rosa e o Beija-Flor (Ao Vivo)
56. Paula Fernandes, Depende da Gente
57. George Henrique & Rodrigo, Desisto ou Insisto
58. Kleo Dibah & Rafel part. Maiara & Maraisa, Podia Ser Nós Dois
59. George Henrique & Rodrigo part. Henrique & Juliano, Seu Oposto (Ao Vivo)
60. Daniel, Inevitavelmente
61. Jorge & Mateus, Pra Sempre Com Você
62. Luan Santana, Dia, Lugar e Hora
63. Anitta part. Jhama, Essa Mina é Louca
64. João Neto & Frederico, Moda Derramada
65. Zé Felipe, Curtição
66. Justin Bieber, Sorry
67. Matogrosso & Mathias part. Gusttavo Lima, E Aí (Ao Vivo)
68. Conrado & Aleksandro part. Bruno e Barretto, To Bebendo de Torneira
69. Munhoz & Mariano part. Zé Neto & Cristiano, Pen Drive de Modão
70. Guilherme & Santiago, Pindaíba
71. Israel & Rodolffo, Não Existe Amor Sem Briga
72. Leonardo, Dona do Meu Destino
73. Simone & Simaria, Meu Violão e o Nosso Cachorro (Ao Vivo)
74. Loubet, Muié, Chapéu e Butina
75. Gustavo Mioto, Três da Manhã
76. Ed Sheeran, Photograph
77. Sorriso Maroto, Dependente
78. Wesley Safadão part. Matheus & Kauan, Meu Coração Deu PT
79. Bruno & Marrone, Isso Cê Num Conta
80. Marcos & Belutti part. Wesley Safadão, Aquele 1% (Ao Vivo)
81. Anselmo & Rafael, Sobre Você e Eu (Ao Vivo)
82. Paula Mattos, Rosa Amarela
83. Gustavo Mioto, Impressionando os Anjos
84. Fernando & Sorocaba, Rolo e Confusão
85. Wanessa Camargo, Coração Embriagado
86. Gusttavo Lima, Jejum de Amor
87. Ludmilla, Bom
88. João Bosco & Vinicius, Que Bar Que Cê Tá
89. Cleber & Cauan, To Com Pena de Você (Ao Vivo)
90. Bruno & Barretto, Eu Quero É Rolo
91. Anitta, Bang
92. Thaeme & Thiago, Nunca Foi Ex (Ao Vivo)
93. João Bosco & Vinicius, Ponto Fraco
94. Marcos & Fernando part. Henrique & Juliano, Trocaria Tudo (Ao Vivo)
95. Fiduma & Jeca, Que Susto (Ao Vivo)
96. Cesar Menotti & Fabiano, To Mal
97. Eduardo Costa, Sapequinha
98. Turma do Pagode, Deixa em Off (Ao Vivo)
99. Fernando & Sorocaba, Anjo de Cabelos Longos
100. Maiara & Maraisa, Você Faz Falta Aqui (Ao Vivo)

Formação atual do Guns N' Roses é "100x" melhor que anterior, diz Fortus
segunda-feira, janeiro 16, 2017


O guitarrista Richard Fortus disse que a atual formação do Guns N' Roses, com Slash na guitarra e Duff McKagan no baixo, é melhor do que a line-up anterior. A declaração foi feita em uma publicação no Facebook.

Tudo começou quando um internauta, chamado Steve Major, relembrou a década de 1980, quando viu Richard Fortus, ainda jovem e desconhecido, tocando em casas de shows de sua cidade natal, St. Louis. Major também elogiou a formação anterior do Guns N' Roses e publicou um vídeo de "You Could Be Mine", dos tempos de DJ Ashba, Ron "Bumblefoot" Thal, Tommy Stinson e outros.

Em resposta, Richard Fortus agradeceu ao fã e disse: "Se você gosta DESSA formação, você vai amar a atual! Cem vezes melhor. Aprecio o apoio, mas (e não estou tentando ser humilde), honestamente, tive muita sorte de ter saído de uma cena em St. Louis com tantos talentos e bons apoiadores".

Matt Sorum fala sobre zona de conforto após 25 anos com Duff
segunda-feira, janeiro 16, 2017


Em entrevista à rádio The Shark, o baterista Matt Sorum falou sobre sair da zona de conforto, após tocar 25 anos com o baixista Duff McKagan. Atualmente, ele tem tocado no Hollywood Vampires e no Kings Of Chaos com Robert DeLeo.

"Estou tocando com Robert DeLeo agora, fizemos a turnê do Hollywood Vampires e, cara, ele é um bom músico. É bom sair da zona de conforto, porque toquei com Duff McKagan por 25 anos. Tivemos várias bandas juntos - Neurotic Outsiders, Velvet Revolver, Kings Of Chaos (além de Guns N' Roses e Hollywood Vampires)", afirmou.

O músico explicou o motivo pelo qual a mudança de um baixista faz muita diferença para um baterista. "Quando você faz parte de uma seção rítmica, você cria um vínculo e atravessa a vida com esse cara. Sempre fui o baterista dele e ele, o meu baixista. Então, quando eles (Guns N' Roses) saíram sem mim, achei estranho. Mas não foi decisão dele, obviamente. Estou seguindo adiante", disse.

Queens Of The Stone Age lançará novo disco em 2017
segunda-feira, janeiro 16, 2017


O Queens Of The Stone Age anunciou que um novo disco será lançado em 2017. A revelação foi feita por Troy Sanders, integrante do Mastodon, em entrevista à Rolling Stone.

Sanders está no supergrupo Gone Is Gone, com integrantes do Queens Of The Stone Age, e acabou entregando sobre o assunto. Ele disse, também, que o Mastodon está trabalhando em um novo registro, mas esta informação já era de conhecimento público há algum tempo.

"Gosto de pensar que nenhum de nós precisa dessa banda (Gone Is Gone), mas todos nós queremos muito estar nela. Se não fosse assim, não iríamos dedicar a primeira semana de 2017 para trabalhar nessa banda. Por exemplo, Queens Of The Stone Age, Mastodon e At The Drive-In têm trabalhado em estúdio, e todos nós iremos lançar novos discos esse ano", disse.

O músico adiantou, ainda, que os três grupos também sairão em turnê pelo mundo. "Estamos todos muito ocupados compondo e gravando, e iremos nos ocupar mais ainda com excursões pelo planeta. Então eu acredito que estamos todos satisfeitos com tudo que tem acontecido", afirmou.

Sofisticado, "Machine Messiah" é um dos melhores discos do Sepultura
segunda-feira, janeiro 16, 2017


Sepultura - "Machine Messiah" [2017]

O thrash metal é um gênero peculiar. Boa parte de suas grandes bandas tiveram mudanças consideráveis em suas sonoridades ao longo dos anos. Metallica, Megadeth, Anthrax, Slayer, Testament, Annihilator... todos esses grupos se apresentam diferentes ou mudaram algo em algum momento de suas discografias. Ainda assim, somente os grandes expoentes costumam ser alvos de crítica.

É o caso do Sepultura, que não é tão grande como um Slayer em termos de popularidade a nível mundial, mas, no Brasil, é a referência. Trata-se da banda de metal mais conhecida do país. Há 20 anos, passou por uma mudança de formação que até hoje gera polêmica - a saída de Max Cavalera para a entrada de Derrick Green.

Poucos se lembram que o Sepultura já era criticado, mesmo que por uma minoria nada barulhenta, a partir de "Chaos A.D." (1993). Diziam que a banda havia se "vendido" e estava se "adequando" aos padrões da época, ao acrescentar elementos do groove metal em sua sonoridade. Basta procurar por textos de veículos especializados da época - no Brasil, claro, pois o grupo era aclamado no exterior. Tais críticas ganharam força após a saída de Max Cavalera, pois um novo vocalista abre brechas para comentários mais fortes. Mas isso não é novidade na trajetória dos caras.

Veja também: 10 curiosidades sobre "Machine Messiah"

É fato que, nos últimos 20 anos, o Sepultura não lançou só discos marcantes. Há alguns trabalhos mais fracos a partir de "Against". Contudo, é na base do "não ouvi e não gostei" que muitas críticas aos discos lançados pelo Sepultura com Derrick Grenen nos vocais se concretizam.

"Machine Messiah" é mais uma oportunidade para que os detratores prestem atenção no que o Sepultura é capaz de fazer. E, é claro, também é um presente musical dos bons para aqueles que admiram as formações mais recentes.



Em comparação a seu antecessor, "The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart", "Machine Messiah" tem uma pegada musical mais orientada ao groove do que ao death metal, que foi a maior surpresa do disco lançado em 2013. Além disso, há ares de sofisticação, seja pelas letras, pelos vocais menos gritados de Derrick Green ou até por tímidos momentos guiados por violinos.

"Machine Messiah" não representa, de forma alguma, qualquer dissociação com o trabalho que o Sepultura tem apresentado, especialmente, na última década. É uma continuação natural de discos que já apresentavam boa parte de tais características. Entretanto, o ar levemente experimental e a própria batuta do bom produtor sueco Jens Bogren fizeram com que o grupo soasse renovado.

A faixa título, que abre a tracklist, já adianta um pouco como será o disco. Em seus quase seis minutos de duração, a música passa por momentos arrastados, trechos cantados em vozes clean e partes que destacam as guitarras de Andreas Kisser. Canção incrível, diga-se de passagem. O quase hardcore "I Am The Enemy", na sequência, é a antítese: batida rápida, vocais berrados e riffs pesados. Eloy Casagrande, monstruoso, se destaca aqui.



"Phantom Self" começa em uma pegada quase nordestina, mas logo descamba para um som pesado e repleto de groove. Há passagens com violinos em alguns momentos. Um pouco mais arrastada, "Alethea" é toda guiada pelos movimentos da bateria. Há poucos momentos de voz na faixa.

Anunciada como um resgate à música nordestina, a instrumental "Iceberg Dances" é boa, mas poderia impressionar mais, especialmente no quesito inventividade. A passagem com órgão hammond é o momento mais inesperado. "Sworn Oath", com seu pano de fundo orquestrado, é um dos grandes destaques do disco. A sofisticação dessa faixa é algo fora de série.

"Resistant Parasites", na sequência, mistura um pouco da pegada sofisticada desse disco com a ideia de metal extremo presente no antecessor, "The Mediator...". Os vocais de Derrick Green transpiram desespero. "Silent Violence", um thrash à Sepultura, coloca o pé no acelerador com êxito, com uma quebra de ritmo e boas passagens de guitarra em seu miolo.

"Vandals Nest" preserva a velocidade rítmica, mas com trechos em que Green canta de forma limpa. "Cyber God" fecha a tracklist original na mesma pegada da faixa que dá nome ao álbum: vocais clean e gritados em alternância aliados a um instrumental trabalhado, bem arranjado e também com mudanças "climáticas". A pesada "Chosen Skin" e o inusitado cover para "Ultraseven No Uta", faixa de abertura do tokusatsu japonês Ultraseven, são as bônus.

O Sepultura, mais uma vez, surpreendeu. "Machine Messiah" é um disco de alto patamar, sem fillers e coeso ao que se propõe. O conceito é bem trabalhado e, musicalmente, vai muito além do lugar-comum. A fome de superação de Andreas Kisser, a vontade de Derrick Green em se reinventar e o sangue novo injetado por Eloy Casagrande deram, a este álbum, a qualidade que ele tem.

"Machine Messiah" é, para mim, um dos melhores trabalhos do Sepultura. Não só dos últimos 20 anos, mas na discografia da banda como um todo.

Nota 8,5



Derrick Green (vocal)
Andreas Kisser (guitarra)
Paulo Jr. (baixo)
Eloy Casagrande (bateria)

01. Machine Messiah
02. I Am The Enemy
03. Phantom Self
04. Alethea
05. Iceberg Dances
06. Sworn Oath
07. Resistant Parasites
08. Silent Violence
09. Vandals Nest
10. Cyber God

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

10 curiosidades sobre "Machine Messiah", o novo disco do Sepultura
sexta-feira, janeiro 13, 2017


Goste ou não, o Sepultura segue como a maior banda brasileira de metal em atividade. O vocalista Derrick Green, o guitarrista Andreas Kisser, o baixista Paulo Jr. e o baterista Eloy Casagrande mostram em "Machine Messiah", 14° disco de estúdio da banda, que continuam a fazer bonito quando o assunto é material novo.

Em comparação ao antecessor, "The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart, "Machine Messiah" tem uma pegada musical mais orientada ao groove do que ao death metal, que foi a maior surpresa do disco lançado em 2013. Além disso, há ares de sofisticação, seja pelas letras, pelos vocais menos gritados de Derrick Green ou até por tímidos momentos guiados por violinos.

Abaixo, estão dez curiosidades sobre "Machine Messiah", que foi lançado, nesta sexta-feira (13), pela Nuclear Beast Records, e do próprio Sepultura.

- A concepção

As principais ideias inaugurais de "Machine Messiah" foram registradas por Andreas Kisser, com o auxílio de Eloy Casagrande. Os esboços começaram a ser melhor desenvolvidos, em estúdio, em fevereiro de 2016.

O título "Machine Messiah", bem como o conceito por trás do disco (apesar de não ser um álbum rigorosamente conceitual), já haviam sido determinados logo no início dos trabalhos. As gravações, em si, começaram em abril de 2016.

- Tecnologia como inspiração

Uma das inspirações para a autoria das letras de "Machine Messiah" é o uso da tecnologia nos dias de hoje, segundo Derrick Green. O conceito foi apresentado por Andreas Kisser.

"Muitas pessoas estão obcecadas por eletrônicos e tecnologias. É como um novo Messias que chegou e todos o idolatram. Está controlando a nossa vida. Nos sentimos seguros com aquilo e nem notamos que estamos perdendo nossos cérebros", disse, ao AXS.

Ele também faluo sobre o fenômeno das "notícias falsas", que também marca presença na temática do álbum. Para ele, o padrão comunicacional atual caiu para o nível "mais baixo de todos os tempos". "Muitos acreditam e é assustador pensar que você pode manipular vários fazendo isto", disse.



- Capa mantém conceito

O conceito de discussão sobre a tecnologia nos dias de hoje também se faz presente na capa do disco, desenhada pela artista filipina Camille Della Rosa. Segundo Andreas Kisser, a arte se chama 'Deus Ex-Macinha' e foi feita há seis anos. Por coincidência, a ideia se encaixou perfeitamente ao trabalho do Sepultura.

"O conceito de que uma Máquina de Deus criou a humanidade e agora parece que este ciclo está se encerrando, retornando ao ponto de partida. Nós viemos das máquinas e estamos voltando para onde viemos. O 'Messiah', quando ele retornar, será um robô, ou um humanoide, nosso salvador biomecânico", disse Andreas, em comunicado oficial.

Capa de "Machine Messiah"
- O produtor

"Machine Messiah" foi gravado no Fascination Street Studios, em Örebro, na Suécia, e produzido por Jens Bogren. Ele já exerceu a função em discos como "Ghost Reveries" e "Watershed" (Opeth), "Static Impulse" e "Impermanent Resonance" (James LaBrie), "Phantom Antichrist" e "Gods Of Violence" (Kreator), além de "Secret Garden", dos também brasileiros do Angra, e "Extinct", dos portugueses do Moonspell.

Andreas Kisser disse, em entrevista ao Silver Tiger Media, que a escolha por Jens Bogren foi "perfeita". "Houve química desde o primeiro dia, falamos a mesma linguagem e queríamos a mesma direção. Ele é um grande produtor e um ótimo músico, com muita sensibilidade com relação a como uma música deve se apresentar, disse.

- Violinos

Não é segredo para ninguém que o Sepultura gosta de experimentar novas estéticas em seus discos. Contudo, uma das grandes novidades de "Machine Messiah", o uso de violinos, não foi ideia da banda.

Em entrevista ao Silver Tiger Media, Andreas Kisser contou que a ideia de utilizar violinos em algumas passagens de músicas de "Machine Messiah" foi do produtor Jens Bogren. "Ele trouxe, por exemplo, a sugestão de usar violinos da Tunísia, o que abriu novas possibilidades e novo solo para se trabalhar, especialmente em solos de guitarra", afirmou.

- Retorno à Europa

"Machine Messiah" foi o primeiro disco a ser gravado na Europa desde "Chaos A.D.", em 1993. Desde então, os álbuns sucessores foram registrados no Brasil ou nos Estados Unidos.

Entre as localidades onde os discos pós-"Chaos A.D." foram gravados, destacam-se "A-Lex" e "Kairos", feitos no Trama Studios, em São Paulo, e "Roots", registrado no Indigo Ranch em Malibu, na Califórnia.



- Maior intervalo

O intervalo entre "Machine Messiah" e seu antecessor, "The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart" (2013), foi o maior da história do Sepultura sem um disco de inéditas. Três anos e dois meses separam os trabalhos.

Antes disso, o maior período sem um álbum de estúdio foi registrado entre "Dante XXI" (2006) e "A-Lex" (2009) - com dois anos e dez meses.

- Música nordestina em instrumental

A faixa instrumental "Iceberg Dances", quinta de "Machine Messiah", tem influência de música nordestina em sua composição. A ideia, segundo Andreas Kisser, era utilizar violão clássico de forma mais intensa na canção. Contudo, ao invés de seguir por caminhos mais tradicionais, a opção foi por abranger a música nordestina.

"A região é muito rica em ritmos e até mesmo em termos de gastronomia. É como se fosse um pequeno país independente, então, podemos explorar muitas coisas que eles podem nos oferecer", disse Kisser, ao The Rock Pit.

- Anos e idades

"Machine Messiah" é o segundo disco a ser gravado com o jovem Eloy Casagrande. Ele tem 25 anos - quase o período em que Derrick Green, ainda considerado "novato" por muitos, está no grupo. Green entrou em 1997 e marca, neste ano, a sua segunda década na formação da banda.



- O "anti-estúdio"

Derrick Green revelou, em entrevista ao AXS, que Paulo Jr. não gosta de estar em estúdio para gravar novos discos. Apesar disso, Green elogiou o trabalho do baixista em "Machine Messiah". "Paulo Jr., que geralmente não gosta de estar em estúdio, entregou uma de suas melhores performances aqui", disse.

Ouça "Machine Messiah" na íntegra no Spotify: