terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

MPB com rock rege novo trabalho de Luiza Possi: “Sobre amor e o tempo”
terça-feira, fevereiro 25, 2014


Notável pelo ecletismo musical, Luiza Possi chega ao sétimo disco – quinto de estúdio – com o cerco artístico um pouco mais fechado. “Sobre amor e o tempo” (Radar Records, R$ 21,90) mostra a cantora em um híbrido de MPB com rock n’ roll, com influências nítidas principalmente de um dos convidados para o disco, Erasmo Carlos.

Luiza Possi disse que esse novo direcionamento artístico foi natural. “Esse disco tem uma essência mais rock n’ roll, uma referência dos anos 1970. Procurei seguir essa linha na hora de pensar no disco como um todo. Ele tem uma unidade, uma cara, desde os arranjos até a escolha do repertório. Ele é viril e visceral, como eu queria que fosse. Não é uma colcha de retalho. É um projeto que, de cabo a rabo, as músicas se falam”, afirmou a cantora, em entrevista por e-mail ao CORREIO de Uberlândia.

A cantora acredita que, para obter êxito em “Sobre amor e o tempo”, foi importante aprender a negar as sugestões de outros parceiros e envolvidos, algo que, segundo ela, não acontecia antes. “O mais importante que consegui nesse disco foi falar ‘não’. Dizer que não gostei de uma coisa e que quero fazer de outro jeito. Nas outras ocasiões, eu confiava e deixava ir. Agora opinei em tudo”, disse.



Para Luiza Possi, “Sobre amor e o tempo” tem uma unidade. “Ser eclética atrapalha às vezes. Então procurei ter um universo para trabalhar ao invés de direções para apontar”, afirmou a cantora, que também se sentiu mais confortável para colocar algumas composições próprias no repertório. “Sempre componho, tenho várias coisas guardadas. Mas agora senti que algumas músicas poderiam ter sentido. Só no primeiro disco não tem música minha, no restante todos têm. Gosto de cantar o que me emociona”, disse.

Convidados

Luiza Possi costuma acertar nos convites para participações. Em “Sobre amor e o tempo”, não foi diferente. Além do já citado Erasmo Carlos, a cantora contou com Lulu Santos, Marisa Monte, Adriana Calcanhoto e Ana Carolina, entre outros.

“A ideia da participação de Marisa Monte com Adriana Calcanhoto veio do Dadi (produtor). Fiquei feliz de ela me liberar a música. Ela raramente libera musica inédita para alguém. A Ana Carolina me ligou para contar que fez uma música que achava ‘a minha cara’. Já no caso do Lulu, o ‘The Voice Brasil’ me aproximou dele”, disse Luiza Possi.

A relação mais pessoal da cantora com as participações, no entanto, foi com a de Erasmo Carlos. “Depois que gravamos a música, ‘Dois Em Um’, descobri que a primeira versão feita por ele foi produzida pelo meu pai, Líber Gadelha. Foi um sinal, tinha que estar no CD”, afirmou.

Televisão

Luiza Possi participou de dois notáveis reality shows musicais: “Ídolos”, da TV Record, como jurada convidada em 2010 e fixa em 2011, e “The Voice Brasil”, da TV Globo, como assistente de júri em 2012 e 2013. “Esse tipo de programa é um caminho incrível. A exposição na mídia e a oportunidade de trocar informações com outros artistas são válidas para todos que participam. Adoro estar neles”, disse.

Apesar do estigma que existe sobre o futuro dos participantes dos reality shows musicais, a cantora diz que éa possível conquistar e manter sucesso em tais programas. “As pessoas criam uma realidade de resultado que não existe nem na vida de quem já está na carreira musical há muito tempo. Não há tanto espaço hoje em dia, a conta não fecha às vezes”, afirmou.

A cantora utilizou-se de alguns exemplos. “Não dá para querer que a Ellen Oléria (vencedora do “The Voice Brasil” de 2012) faça 15 shows por mês. Acho que ela é vitoriosa. Tem feito shows e toca nas rádios. A Liah Soares (finalista da mesma edição do reality), que ficou na final ano passado também, está fazendo um monte de coisas legais”, disse.

Publiquei no CORREIO de Uberlândia.
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Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.