sábado, 29 de março de 2014

Retorno ao indie rock típico marca novo bom álbum do Kaiser Chiefs
sábado, março 29, 2014


Kaiser Chiefs - “Education, Education, Education & War” [2014]

De tão flexível, o antecessor desse novo disco do Kaiser Chiefs acabou ficando chato. A proposta retrô de “The Future Is Medieval”, de 2011, não encaixou. Sabiamente, o grupo retomou uma proposta mais ligada ao tradicional indie rock do grupo em “Education, Education, Education & War”, quinto disco de estúdio dos caras. O trabalho vai ser lançado no dia 31 de março, pela Universal Music, mas já está disponível para audição gratuita no Soundcloud.

Em entrevista recente ao The Guardian, o vocalista do Kaiser Chiefs, Ricky Wilson, admitiu que a banda “engordou”, “ficou preguiçosa”. “Em algum momento no caminho, nós perdemos nossa raiva”, disse. Não os descrevo exatamente como “um grupo raivoso”. Mas há um pouco dessa ambição de retomar um espaço perdido em “Education, Education, Education & War”.



A abertura com a faixa “The Factory Gates” mostra isso. A melodia e a energia da canção garante aos fãs que os Chiefs estão de volta. “Coming Home” dá sequência de forma mais calma e com destaque ao baixo de Simon Rix. Apesar de eu achar que tiraram o pé do acelerador “cedo demais”, na segunda faixa, a música é excelente. Não à toa, é o primeiro single de divulgação. A soturna “Misery Company” é um pouco dark pela escolha das tonalidades, mas não deixa de ser empolgante, até pela boa cozinha.

“Ruffians On Parade” é o típico indie hit, com versos criativos, refrão grudento e boa performance vocal. “Meanwhile Up In Heaven” tem uma performance ruim de Nick Baines, que escolhe teclados bem chatos. A canção é mais arrastada e tem timbragens mais oitentistas, especialmente pela bateria com mais reverb e os próprios sintetizadores. O refrão salva um pouco. “One More Last Song” é grudenta, o que deveria ser um ponto positivo. Mas fica enjoativa pelo refrão.



Em meio ao momento de baixa nas duas canções passadas, “My Life” retoma uma boa audição. A faixa é de fácil assimilação e tem o novo baterista, Vijay Mistry, como elemento essencial. Vale destacar que ele se encaixou muito bem no grupo. “Bows & Arrows”, no entanto, proporciona mais um declínio. A batida eletrônica que guia os versos da música é angustiante.

“Cannons” parece ser pesada de início, mas volta à proposta alternativa trabalhada ao longo do registro. É mediana. “Roses” encerra o disco com uma pegada bem semelhante ao Thirty Seconds to Mars. Tem uma grande apresentação de Ricky Wilson. Uma das melhores do álbum. Aposto nela para algum dos próximos singles.

O resgate à perspectiva clássica do Kaiser Chiefs em “Education, Education, Education & War” confere um saldo positivo ao disco. Trata-se de um bom trabalho, com o toque do indie rock britânico. Os Chiefs nunca estiveram entre os nomes de maior destaque na cena, mas podem chegar a esse ponto se mantiverem a média geral desse trabalho para os próximos.

Nota 7,5

Ricky Wilson (vocal, percussão)
Andrew “Whitey” White (guitarra)
Simon Rix (baixo)
Nick “Peanut” Baines (teclados, sintetizadores, percussão)
Vijay Mistry (bateria, percussão)

1. The Factory Gates
2. Coming Home
3. Misery Company
4. Ruffians On Parade
5. Meanwhile Up in Heaven
6. One More Last Song
7. My Life
8. Bows & Arrows
9. Cannons
10. Roses


Texto originalmente publicado no site Reduto do Rock.
Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.