sábado, 12 de julho de 2014

Alice Cooper: 20 anos de "The Last Temptation"
sábado, julho 12, 2014


Alice Cooper: "The Last Temptation"
Lançado em 12 de julho de 1994

O ano de 1994 foi marcante na história da música dita "alternativa". O Grunge entrou em decadência com a morte de Kurt Cobain (Nirvana); bandas como Placebo, Coal Chamber, Muse e Limp Bizkit se formaram; o Green Day estava bombando e o Blink-182 acabava de estrear.

Mas e o rock n' roll dito como "clássico"? Phil Rudd acabava de voltar para o AC/DC, o KISS e o Black Sabbath estavam com excelentes formações, mas com baixas vendagens em comparação às suas respectivas fases clássicas, e o hard rock oitentista já havia desaparecido do mapa. Qualquer gravadora que lançasse um disco de uma banda nos moldes do Poison (na época, sem C.C. DeVille) e do Mötley Crüe (na época, sem Vince Neil) já poderia declarar falência. Dessa safra, só o Tesla, o Aerosmith e o Bon Jovi estavam realmente vendendo bem, mesmo com pouco dos anos 80 na sonoridade.

Obviamente, tudo isso é citado sem a lembrança do mestre do shock rock: Alice Cooper. Sem mudar seu estilo de forma drástica e ainda retomando suas raízes com um álbum conceitual, "The Last Temptation" conta a história de Steven, um personagem criado por Cooper que aparece no disco "Welcome To My Nightmare" e na música "Wind-Up Toy" de "Hey Stoopid", juntamente de um misterioso showman.



Steven é persuadido a entrar em seu show, "The Theatre Of The Real - The Grandest Guignol", resistindo a diversas tentações por todo o tempo. Curiosamente, Grand Guignol foi um teatro francês conhecido por exibir inúmeras peças de terror. A história de "The Last Temptation" acompanha uma história em quadrinhos homônima ao álbum,  feita pelo conceituado Neil Gaiman e publicada pela Marvel Comics. Nos HQs, o showman anteriormente citado é retratado no gibi como o próprio Alice Cooper.

As letras de tia Alice já são ótimas sem um conceito por todo o disco. Em um trabalho conceitual, então, as composições melhoram. As composições de "The Last Temptation" são fantásticas e contam com a participação de Chris Cornell (Soundgarden), Jack Blades (Night Ranger, Damn Yankees), Tommy Shaw (Styx, Damn Yankees), Jim Vallance (compositor que já trabalhou com Ozzy Osbourne, Aerosmith, Scorpions e KISS) e Mark Hudson (produtor que já trabalhou com Ringo Starr e até com o Baha Men). Do processo lírico, destaco "Nothing's Free", "Cleansed By Fire", "Lost In America" e "Bad Place Alone".



O aspecto musical abandona um pouco a pimposidade da década de 1980, que Alice Cooper incorporou em discos como "Constrictor", "Trash" e "Hey Stoopid". Dessa forma, a musicalidade um pouco mais tradicional dos anos 1970 foi explorada e misturada com elementos dos 1980's e, especialmente pela produção mais clean, pitadas de rock alternativo. Musicalmente falando, "It's Me", "Sideshow", "Bad Place Alone" e "Lost In America" são dignas de serem citadas.

"The Last Temptation", que retoma um pouco a dicotomia visceralidade/sofisticação de Alice Cooper, teve boa repercussão comercial. Não é o magnum opus de tia Alice, mas é um trabalho muito bom.



Alice Cooper (vocal)
Stef Burns (guitarra)
Greg Smith (baixo)
David Uosikkinen (bateria)
Derek Sherinian (teclados)

Músicos adicionais:
Chris Cornell (vocal em 6 e 7)
Don Wexler (guitarra em 3)
John Purdell (teclado em 5, 8 e 9)

01. Sideshow
02. Nothing's Free
03. Lost In America
04. Bad Place Alone
05. You're My Temptation
06. Stolen Prayer
07. Unholy War
08. Lullaby
09. It's Me
10. Cleansed By Fire


Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.