quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Os 45 anos de "II", a síntese de poder e visceralidade do Led Zeppelin
quarta-feira, outubro 22, 2014


Led Zeppelin: "II"
Lançado em 22 de outubro de 1969

O Led Zeppelin surgiu com a tentativa do guitarrista Jimmy Page de formar um novo Yardbirds. A proposta funcionaria apenas na teoria, pois o grupo realmente se chamaria "The New Yardbirds" só para cumprir um contrato de shows na Escandinávia.

Com Jimmy Page, estavam o baixista Chris Dreja, o vocalista Robert Plant e o baterista John Bonham. Mas logo Dreja deu lugar a John Paul Jones. Pronto: uma das bandas mais importantes do rock estava formada. O primeiro álbum, autointitulado e lançado em janeiro de 1969, foi um sucesso, e não poderia se esperar menos de seu sucessor.



"II" chegou às prateleiras há exatos 45 anos e foi gravado aos pedaços, em vários lugares diferentes, durante descansos de turnês, já que o quarteto fazia muitos shows. Mas isso não interferiu no processo de composição. Pelo contrário: chegou a ajudar, pois as jams e os improvisos que rolavam nos palcos tornaram-se novas composições.

Em comparação aos outros trabalhos do começo do Zeppelin, "II" é o mais pesado. Ainda que com as mesmas temáticas das letras e influência do blues e da música folk, seu antecessor e seus primeiros sucessores continham muitos momentos acústicos ou pouco distorcidos. Em "II", a crueza prevalece - dedo da engenharia de áudio do lendário Eddie Kramer, ao lado da produção visionária de Jimmy Page. O resultado é um álbum poderosíssimo do início ao fim.



A paulada "Whole Lotta Love" abre o disco em um misto soberbo de blues, rock n' roll e psicodelia. Os riffs de guitarra, acompanhados pelo baixo, são avassaladores. Na sequência, a volátil "What Is And What Should Never Be" se assemelha mais com o primeiro álbum do Led Zeppelin, pelas variações entre momentos calmos e pesados.

"The Lemon Song" é um blues rock carismático, com um show a parte do gênio Jimmy Page. "Thank You", composição de Robert Plant e Page, quebra o clima. Entre as músicas mais lentas da carreira da banda, esta é uma das melhores. A simplicidade dessa faixa aconchegante a torna irresistível.



"Heartbreaker" coloca um pé no acelerador e outro na distorção. Os riffs e solos de Page, altamente inspirados, são icônicos no rock. A injustiçada "Living Loving Maid (She's Just A Woman)" chega com uma gostosa levada classic rock. Apesar do potencial, a música recebeu pouca atenção do Zeppelin na época por conta da namorada de Jimmy Page à época, Charlotte Martin, que não gostava da temática da letra: groupies. Sentiu-se ofendida.

"Ramble On", altamente folk, é influenciada pelo livro "O Senhor Dos Anéis", de J.R.R. Tolkien. John Bonham brilha nessa faixa, assim como na próxima, a instrumental "Moby Dick". Após os riffs incríveis de John Paul Jones e Jimmy Page, Bonzo dispara um solo de bateria durante a gravação - algo raramente visto até então.



O encerramento fica por conta da readaptação de "Bring It On Home", composta por Willie Dixon e popularizada por Sonny Boy Williamson II. Apenas a introdução e algumas outras nuances remetem à canção original. A maioria das modificaçoes foi realizada por Jimmy Page e Robert Plant. Um desfecho apoteótico para um álbum indispensável.

A recepção, como sempre, foi calorosa: "II" chegou à primeira posição das paradas inglesas, canadenses e estadunidenses, onde o disco chutou "Abbey Road", dos Beatles, do topo dos charts. O Led Zeppelin se consolidava como o novo fenômeno mundial e, ao meu ver, especialmente com o visceral "II", eles conseguiram influenciar toda a geração roqueira seguinte.



Robert Plant (vocal, gaita)
Jimmy Page (guitarra, violão)
John Paul Jones (baixo, órgão, teclados)
John Bonham (bateria, tímpano, percussão)

01. Whole Lotta Love
02. What Is And What Shoud Never Be
03. The Lemon Song
04. Thank You
05. Heartbreaker
06. Living Loving Maid (She's Just A Woman)
07. Ramble On
08. Moby Dick
09. Bring It On Home


Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.