quarta-feira, 22 de abril de 2015

O meet & greet e a gourmetização do rock
quarta-feira, abril 22, 2015


Sabemos que rock é, assim como a música desde o século passado, comércio. Em diversos textos de opinião, já defendi a iniciativa das bandas realmente trabalharem de acordo com suas demandas e façam o que for preciso para lucrarem. Mas não há nada mais bunda-mole e fora da atitude rock n’ roll do que meet & greet.

Não se sabe ao certo quem foi o infeliz cidadão que inventou essa prática, que impregnou entre algumas das grandes bandas de rock e até do metal. KISS, Metallica, Foo Fighters, Angra, Winger, Testament, Arch Enemy, Exodus e até mesmo o falido Scott Weiland apostam na tática e, curiosamente, conseguem dezenas ou centenas de interessados em pagar um alto valor para conhecer seus ídolos, além de outros itens e experiências ganhos.

Provavelmente o exemplo mais bizarro é o do KISS, que está cobrando cerca de R$ 2,6 mil por cabeça (fora do gênero, esse valor é praticado por nomes como Justin Bieber) para o seu meet & greet. O pacote inclui uma série de itens de colecionador – alguns personalizados -, foto individual com os músicos e a possibilidade de assistir um mini-show acústico da banda. E não inclui ingresso para a apresentação em si.

Não há sentido em fazer tanta questão de pagar um alto valor para conhecer seus ídolos – até porque há pouquíssimo em comum entre você, caro cidadão comum, e a estrela do rock para a qual você destina essa quantia. Vale o questionamento: o que a molecada de 20 e poucos anos teria a ver com alguns tiozões altamente capitalistas e ranzinzas de 50 ou 60 anos? Provavelmente nem mesmo a paixão equivalente pelo rock. Daí, para forjar algo, os caras precisam vender a atenção deles para você.

O rock, cada vez mais gourmetizado, caminha para o ostracismo devido a atitudes como essas. Não culpem as bandas novas, nem os fãs, que comprariam até o cocô de seus ídolos, caso estivesse à venda, por uma questão que sequer tem a ver com a satisfação pessoal – é para contar aos amigos que conheceu (ou tem o cocô) do fulano roqueirão. A culpa é do seleto grupo de “monstros dinossauros” do rock, que têm coragem de cobrar para que seus admiradores tenham acesso a eles.

Se ainda assim você, caro leitor, tem coragem de ir a um meet & greet, apure com antecedência quem estará por lá. Caso contrário, acaba se dando mal igual o jovem abaixo (clique para ler o tweet no link original):

Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.