quarta-feira, 15 de julho de 2015

Entrevista: “Shooting at the Moon” é o novo trabalho do Unconscious Disturbance
quarta-feira, julho 15, 2015


Lançado em dezembro de 2014, “Shooting at the Moon” é o segundo trabalho da banda Unconscious Disturbance, que faz uma mistura de elementos da música alternativa e do metal. Formado em São Paulo (SP), mas atualmente radicado em Nova York, nos Estados Unidos (EUA), o grupo se apresenta mais maduro em seu novo disco. Essencialmente progressivo, o heavy metal do quarteto tem pitadas do jazz ao samba em seu álbum mais recente.

Os irmãos Kiko (vocalista e guitarrista) e Daniel Freiberg (baterista) decidiram ficar nos EUA depois que Kiko cursou faculdade de música em terras ianques.

As influências versáteis presentes no som do grupo de heavy metal é, de acordo com Kiko Freiberg, fruto do ecletismo de seus integrantes. Entre os trechos mais experimentais de “Shooting at the Moon”, está “Hollow”, faixa que encerra o álbum, que tem 14 minutos de duração. “A música te leva por quase todas as emoções do disco, do mais leve e delicado ao mais brutal, e achamos uma maneira boa de concluir o disco”, afirmou Daniel Freiberg.

Apesar do lançamento recente de “Shooting at the Moon”, o Unconscious Disturbance já prepara um novo disco, em função da entrada de Tim Haggerty (guitarra) e Danny Dahan (baixo) no grupo. “No ritmo que estamos compondo, acho que vai sair um CD novo no futuro próximo. No entanto, o ‘Shooting At The Moon’ ainda é novo e vamos continuar a tocar e promovê-lo. Acabamos de terminar um clipe de animação para a versão mais curta da ‘Hollow’”, disse Kiko Freiberg.



Músicos se espelham nos grandes ídolos

Com letras em inglês e um estilo musical criado em países como Estados Unidos e Inglaterra, seria pouco natural que o Unconscious Disturbance ainda estivesse no Brasil. O vocalista e guitarrista Kiko Freiberg afirmou que há vantagens de se estar com o grupo nos EUA. “Tem uma cena no país inteiro e é muito fácil se locomover por aqui”, disse. No entanto, ainda segundo o músico, existe a saudade das terras tupiniquins. “Sinto muita falta do Brasil e acho o público brasileiro um dos mais energéticos e fiéis”, afirmou o vocalista.

Nomes como Angra e Sepultura, bandas brasileiras de metal que conquistaram repercussão no exterior, servem de espelho para o Unconscious Disturbance, apesar da diferença entre os subgêneros praticados. “Com certeza o nosso respeito por esses dois nomes é imenso. O Igor Cavaleira (baterista do Sepultura) é uma grande influência, e muitas vezes eu e o Kiko (Freiberg, vocalista e guitarrista do Unconscious Disturbance) aquecemos para o ensaio tocando vários riffs do ‘Acid Rain’ do Angra”, afirmou o baterista Daniel Freiberg.



Em entrevista exclusiva, os irmãos Kiko e Daniel Freiberg falaram da carreira, do segundo CD, lançado recentemente, e dos planos futuros.

Igor Miranda: As bandas brasileiras que tiveram maior destaque internacional foram as que sempre mostraram técnica apurada em suas composições. Ao lançarem “Shooting at the Moon”, vocês vislumbram o reconhecimento de nomes como Angra ou Sepultura?

Daniel: O nosso respeito por esses dois nomes é imenso. O Igor Cavaleira é uma grande influência e, muitas vezes, eu e o Kiko aquecemos para o ensaio tocando vários riffs de “Acid Rain”, do Angra. O Derek do Sepultura apoia bastante a banda e adorou o “Shooting at the Moon”, o que nos deixou, no mínimo, lisonjeado. Esse novo CD tem uma sonoridade bem brasileira, principalmente na gravação da bateria. O nosso trabalho é bem diferente do Sepultura e do Angra, mas a influência está presente.

Como vocês foram parar nos Estados Unidos e até que ponto vocês imaginam que é diferente fazer um som nesse estilo em outro país, com maior tradição no gênero?


Kiko: Eu e o Daniel temos um pai americano, então somos meio gringos. Eu fiz faculdade de música aqui, e viemos tocar nos EUA, com a banda antiga, depois de uma turnê pequena no Canadá. Tem uma cena no país inteiro e é muito fácil se locomover por aqui. Ao mesmo tempo, eu sinto muita falta do Brasil e acho o público brasileiro um dos mais energéticos e fiéis. O Brasil tem uma cena muito boa de metal com bandas incríveis, mas infelizmente não tem o reconhecimento que merece. A gente também canta em inglês, então faz sentido ter uma base aqui, principalmente agora com dois integrantes americanos.


Vocês misturam uma série de elementos de vertentes mais leves e tradicionais com estilos mais pesados. As pitadas vão do jazz ao samba com facilidade, enquanto a base visceral tem características progressivas. Como é o processo de composição de vocês, que leva a algo tão heterogêneo?


Kiko: A banda sempre foi composta por integrantes com gostos musicais bem ecléticos. Quando rolou a mudança no “lineup”, versatilidade musical foi um dos critérios mais importantes para os integrantes novos, pois todo mundo aqui compõe. Aceitamos tudo que vem com nossa integridade e estilo, e procuramos sempre manter a nossa originalidade. Nunca falamos “agora vamos tacar um jazz ou um samba”, mas, sim, tocamos o que está internalizado no nosso DNA musical.


O que muda na dinâmica da banda com essa nova formação, com Tim Haggerty e Danny Dahan, apesar deles não terem participado das gravações de “Shooting at the Moon”?


Kiko: Eu e o Tim tocamos juntos há muito tempo, numa jam, e começamos a tocar num grupo de Gypsie Jazz. Quando o Patrick saiu, eu sabia que o Tim era a substituição perfeita. A gente conheceu o Danny depois que colocamos um anúncio à procura de um baixista novo. Ele estava na mesma pegada e com ambições musicais parecidas com as nossas. O Danny e o Tim respeitam muito os integrantes antigos e adoram o trabalho que fizeram. Todo mundo compõe junto e já estamos compondo bastante. A maior mudança que aconteceu foi que, antes, os ensaios eram todos em português; agora, passamos a nos comunicar em inglês.


A veia mais progressiva e até mesmo experimental aparece especialmente nas faixas mais longas, como a incomum “Hollow”, de 14 minutos. O que vocês querem propor com essas músicas com maior quantidade de variações de andamento?


Daniel: Hoje em dia é difícil encontrar ouvintes que tenham a paciência de entrar numa viagem como a “Hollow”, mas a gente sempre curtiu o progressivo e tomamos a liberdade de por uma música mais longa no final do disco. Ela requer uma certa paciência, mas muitas vezes músicas mais longas te jogam em reflexões intensas, num processo quase meditativo. A “Hollow” te leva por quase todas as emoções do “Shooting at The Moon”, do mais leve e delicado ao mais brutal, e achamos uma maneira boa de concluir o disco.


Vocês já estão em estúdio, apesar do lançamento recente. O que vem por aí?


Kiko: Como eu disse, todo mundo na banda compõe junto, então é bem natural que a chegada de dois integrantes extremamente criativos instigasse mais um processo de composição. O Danny e o Tim estão trazendo as suas influencias para o “estilo UD”, e o resultado está ficando incrível. Já contamos a história do “Shooting At The Moon”, então estamos partindo para algo diferente e novo, porém mantendo as cores e o estilo da banda. No ritmo que estamos compondo, acho que vai sair um CD novo no futuro próximo. No entanto, o “Shooting At The Moon” ainda é recente e vamos continuar a tocar e promovê-lo. Acabamos de terminar um clipe de animação para a versão mais curta da “Hollow”.
Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.