quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Pitacos sobre os novos discos de Iron Maiden, Motörhead e Ghost
quarta-feira, setembro 09, 2015


Três lançamentos movimentaram o universo metálico nos últimos dias: “The Book Of Souls”, do Iron Maiden; “Bad Magic”, do Motörhead; e “Meliora”, do Ghost. Os trabalhos agradam de formas e em contextos distintos.

“The Book Of Souls” mostra que o Iron Maiden segue vivo, pulsante e determinado sobre o que quer fazer. Depois de dois álbuns repetitivos e maçantes – “A Matter Of Life And Death” (2006) e “The Final Frontier” (2010) –, a banda trabalhou, praticamente em silêncio, num novo disco que, em um panorama geral, supera as expectativas. Bruce Dickinson gravou o álbum com um câncer na língua e o público só soube da doença quando já estava sendo tratada e quase curada.

Curiosamente, Dickinson é quem apresenta maior desgaste em “The Book Of Souls”. No geral, o cantor soube adaptar sua voz nas músicas, mas em alguns momentos chega a dar agonia por tanto forçar os vocais. Já a banda soa bem e, finalmente, conseguiu fazer algo que estava tentando fazer nos álbuns anteriores: ficar mais sofisticada. Passagens orquestradas e bem construídas a nível instrumental são recorrentes no novo disco, que também se mostrou oxigenado por trazer mais composições de Adrian Smith, Dave Murray, Janick Gers e Bruce Dickinson, ao invés da centralização em Steve Harris.



O único verdadeiro problema de “The Book Of Souls” está em alguns exageros, naturais para quem quer a direção artística almejada pelo Iron Maiden. Algumas faixas são grandes demais. “The Red And The Black”, curiosamente assinada apenas por Harris, é a única das superlongas que não me cansou em seus 13 minutos de duração. As outras (faixa título e “Empire Of The Clouds”) são complicadas. Mas não comprometem tanto assim.

Se o Iron Maiden demonstra apenas uma pontinha de desgaste e ainda consegue surpreender, não dá para dizer o mesmo sobre o Motörhead. O trio nem sempre tem o objetivo de trazer algo realmente novo. O problema é que nem mesmo o feijão-com-arroz está saindo tão bem. Lemmy Kilmister está, claramente, com o freio de mão puxado e a banda o acompanha nesse sentido. “Bad Magic” não traz nenhuma paulada de impacto, nem transborda adrenalina em suas composições. Mas é bom, entretém e apresenta composições no padrão Motörhead – ponto para o repertório, que é consistente.

A única real novidade do álbum é o cover de “Sympathy For The Devil”, original dos Rolling Stones. A versão de Lemmy e sua trupe é razoável e mantém aspectos de fidelidade àquela conhecida por todos. É mais simplista e, diferente do que poderia se imaginar, não é mais veloz ou tão mais pesada.



É triste imaginar que, provavelmente, estaremos noticiando a morte de Lemmy daqui alguns anos ou até meses – provavelmente após algum show, pois o homem vive pela banda. Resta-nos desfrutar enquanto ainda é possível.

Já que os nomes do passado já começam a demonstrar algum tipo de desgaste, novas bandas emergem e se consolidam de vez. Caso do tão criticado Ghost, que parece ter chegado a um resultado bem satisfatório em “Meliora”, terceiro álbum do grupo, que tem influências e apoio de nomes do heavy metal, mas está longe de ser um representante tradicional do gênero.

Finalmente, o Ghost conseguiu soar um pouco mais agressivo, sem perder a coesão que sempre teve por aquela que sempre foi uma das virtudes da banda: o apelo pop inegável em linhas vocais, refrães e algumas passagens instrumentais. A produção valorizou mais os timbres, especialmente da cozinha, e o repertório ajudou muito. Com “Meliora”, o grupo deixa de ser uma novidade excêntrica para se firmar de vez como realidade no cenário.


Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.