quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Black Sabbath: 30 anos de "Seventh Star"
quinta-feira, janeiro 28, 2016


Black Sabbath – “Seventh Star”
Lançado em 28 de janeiro de 1986

O período do Black Sabbath que antecede e sucede o lançamento de “Seventh Star” é enigmático. Ian Gillan saiu em 1984 para retornar ao reformado Deep Purple. O baterista de turnê Bev Bevan também caiu fora e deu lugar a um breve retorno de Bill Ward.

Vários nomes foram testados para o posto de vocalista, como Ron Keel e David Donato, mas nenhum vingou e o baixista Geezer Butler abandonou o barco. Tony Iommi, então, congelou o Black Sabbath para trabalhar em um disco solo com o tecladista Geoff Nicholls.

Tony Iommi não tinha somente a intenção de tornar “Seventh Star” seu álbum solo. Ele também queria que o disco contasse com diversos vocalistas convidados, como Rob Halford, Glenn Hughes e o ex-colega de trabalho Ronnie James Dio. Por praticidade, Hughes assumiu todos os vocais. Para completar a line-up, o baterista Eric Singer e o baixista Gordon Copley foram emprestados pela namorada do guitarrista na época, Lita Ford, já que pertenciam à sua banda de apoio. Copley não durou, no entanto, e foi logo substituído por Dave Spitz (irmão de Dan Spitz, guitarrista do Anthrax).


O quinteto foi responsável pela gravação do registro, que foi finalizado ainda em 1985. “Seventh Star” deixou de ser um disco solo de Tony Iommi devido à pressão da gravadora e principalmente do empresário Don Arden (também pai de Sharon Osbourne). Iommi comprou os direitos do nome Black Sabbath e lançou o álbum com o nome do grupo - mas com uma ligeira diferença, pois estava assinado como Black Sabbath featuring Tony Iommi.

“Seventh Star” divide opiniões em vários aspectos. Alguns fãs mais conservadores sequer consideram o álbum como parte da discografia do Black Sabbath, tanto pela sonoridade, quanto pela própria intenção que Iommi teve, ao concebê-lo, de que fosse um trabalho solo. Mas faz parte do catálogo da banda e, para mim, é um dos melhores da longa trajetória do Sabbath.


Essencialmente, o álbum tem pouco a ver com os discos clássicos anteriores. Tony Iommi faz uma verdadeira salada mista que gira entre o hard rock setentista (“Danger Zone”) e oitentista (“No Stranger To Love”), um heavy metal distante do doom (“Turn To Stone”, “In For The Kill”) e o gênero que sempre afirmou ser seu predileto: o blues (“Heart Like A Wheel”).

Apesar da mistura, há uniformidade nas composições e realmente tudo soa muito bem. Tony Iommi é o destaque, por seu senso melódico apurado nas composições, nos riffs e, principalmente, nos solos. Responsável somente pelas vozes, Glenn Hughes fez um registro grandioso e, mesmo afundado em vícios, mostrou que as cordas vocais estavam impecáveis. Ainda pouco conhecido, Eric Singer tocou muito bem. Geoff Nicholls, com mais holofotes, e Dave Spitz cumprem seus papéis.


“Seventh Star” só tem um defeito: a curta duração (35 minutos). O álbum, que fez sucesso moderado à época, também não foi suficiente para segurar os músicos para outros trabalhos, principalmente Glenn Hughes, que decepcionava ao vivo por seus problemas com drogas. O cantor acabou demitido após brigar com um road manager, que lhe deixou com um nariz quebrado e resultou em sua demissão. Durante a turnê, Glenn foi substituído por Ray Gillen, outro baita vocalista que também não durou muito na banda.

É necessário ter paciência e certo desapego com a trajetória anterior do Black Sabbath para curtir “Seventh Star”. Com 30 anos de vida, o álbum já vem sendo melhor interpretado por novas gerações de fãs. Vale a pena ouvir com atenção.


Tony Iommi (guitarra)
Glenn Hughes (vocal)
Dave Spitz (baixo)
Eric Singer (bateria)
Geoff Nicholls (teclados)

Músico adicional:
Gordon Copley (baixo em 2)

01. In For The Kill
02. No Stranger To Love
03. Turn To Stone
04. Sphinx (The Guardian)
05. Seventh Star
06. Danger Zone
07. Heart Like A Wheel
08. Angry Heart
09. In Memory…

Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.