quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Explicações sobre a graça que há no som “sem sal” do Tyketto
quarta-feira, janeiro 20, 2016


Há algum tempo, revisitei a discografia do Tyketto – banda que nunca deixei de ouvir, mas como tudo na vida, obedece a ciclos. Retomei o som com entusiasmo e comentei com alguns amigos que considerava “Don’t Come Easy” (1991) um dos melhores debuts da história. Há tons de exagero, claro, mas é um ótimo trabalho dentro do que é proposto.

Um dos amigos disse que considerava o som do Tyketto muito “sem sal”, no sentido de ser básico e pouco diferente do que era apresentado por outros nomes à época. Meus ouvidos, obviamente, estão com mais referências sonoras do que quando descobri o grupo, nos idos de 2007. Veio, então, uma constatação: o Tyketto nunca foi de explorar muita coisa diferente. Talvez isso tire o “sódio” de tudo. Mas há algo que encanta no som dos caras. Não só no debut e até mesmo no expurgado “Shine” (1995), único com Steve Augeri nos vocais.

Ao mesmo tempo que o Tyketto não trabalha com muitas influências e nem faz algo inovador, apresenta pitadas de autenticidade que tornam da discografia uma experiência auditiva prazerosa. Atribuo isso não só às boas canções, mas especialmente às performances. Os envolvidos são muito bons – especialmente Danny Vaughn, uma das vozes mais impactantes que ouvi dentro do hard rock, seja ou não da vertente mais melódica. Outro elemento de destaque é a ótima produção de todos os álbuns, até mesmo do recente “Dig In Deep” (2012).

Há ainda quem defenda que o Tyketto é “Bon Jovi” demais, quase um sinônimo para “leve”. Ora, o grupo até tentou ser pesado em uma ou outra música (“Inherit The Wind”, por exemplo), mas ficou bem ruim. É o hard melódico quase pop rock dos caras, com a pegada água com açúcar, que dá a graça.

Outras bandas seguem essa linha, mas tendem mais para o AOR, especialmente pelo (ab)uso de teclados. O Tyketto se perde e fica no limbo: não é tão hard rock, nem tão AOR, nem tão pop rock. Tem um pouco de tudo, mas o suficiente para ser uma água com açúcar que vez ou outra te dá vontade de beber.

Esse aspecto pode ter sido decisivo para que a banda quase sempre liderada por Danny Vaughn nunca tenha feito sucesso – apesar de eu achar que, além de terem chegado tarde demais, não tiveram o devido apoio da Geffen com “Don’t Come Easy”. Ainda assim, décadas depois, algumas dúzias de pessoas (re)descobrem o som e se encantam, por variados motivos.

Seguem alguns destaques da discografia do Tyketto sob meu ponto de vista, para que você, caro leitor, tire suas conclusões:













Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.