quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Novo disco do Wolfmother é mais direto e bem produzido
quinta-feira, fevereiro 25, 2016


Wolfmother - "Victorious" [2016]

O Wolfmother se tornou uma "eterna promessa" de forma injusta. Foi uma das bandas que mais se destacaram no revival do classic rock, nos anos 2000, mas, diferente de outros nomes que fizeram parte deste movimento, não tinha tanta ambição de conquistar o mundo. Continuaram a lançar trabalhos sólidos e estáveis ao longo dos anos - apesar do grande intervalo entre eles -, sem preocupações com grandes inovações.

Quarto álbum do Wolfmother, "Victorious" reflete a proposta musical de Andrew Stockdale e sua trupe. Tem nuances diferentes, claro, além do repertório ter características distintas. Mas não queira ser surpreendido: trata-se de mais um disco de heavy rock, de bons refrães e riffs, além da voz aguda de Stockdale em primeiro plano.



O diferencial de "Victorious" é que as composições estão mais diretas e bem trabalhadas. Provavelmente, um toque da produção de Brendan O'Brien. Com exceção da faixa que dá título ao trabalho, nenhuma música passa do quarto minuto de duração. Ou seja, a banda enxugou as passagens psicodélicas que marcavam algumas de suas faixas de discos anteriores. Curioso, porque Ian Peres se dedicou apenas aos teclados, enquanto Andrew Stockdale tocou baixo, além de gravar guitarras e vozes.

Outro detalhe curioso está na bateria. Josh Freese e Joey Waronker se alternaram nas gravações do instrumento, enquanto Vin Steele, o integrante oficial, sequer encostou nas baquetas no registro. Brendan O'Brien também colaborou com percussão adicional. O resultado supera as expectativas - dá para sentir, aliás, a pegada de Freese em diversos momentos.



"Victorious" é melhor do que "New Crown" e se equipara ao disco autointitulado, de estreia, que empolgou a crítica mais de dez anos atrás. A diferença é que o Wolfmother já não é mais promessa - é um projeto consolidado, que talvez não seja tão ambicioso quanto deveria, mas entrega um produto de qualidade excepcional.

Destacam-se a pesada abertura "The Love That You Give", a gostosa faixa título, a grooveada "The Simple Life" e a semi-balada "Best Of A Bad Situation", uma amostra do que o Faces faria em 2016. Mas "Victorious" é todo bom.

Nota 9



Andrew Stockdale (vocal, guitarra, baixo)
Ian Peres (teclados)

Músicos adicionais:
Josh Freese (bateria)
Joey Waronker (bateria)
Brendan O'Brien (percussão)

1. The Love That You Give
2. Victorious
3. Baroness
4. Pretty Peggy
5. City Lights
6. The Simple Life
7. Best of a Bad Situation
8. Gypsy Caravan
9. Happy Face
10. Eye of the Beholder

Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.