quarta-feira, 13 de abril de 2016

Lobão culpa "perseguição política" por não conseguir marcar shows
quarta-feira, abril 13, 2016


Lobão não esconde sua posição política. O músico é abertamente contra o atual governo da presidente Dilma Rousseff e expressa sua ideologia tanto nas redes sociais quanto em manifestações que pedem o impeachment da petista.

No entanto, durante entrevista concedida ao Estadão, uma revelação de Lobão mostrou que pode estar pagando caro por seu posicionamento. O músico afirmou que não conseguiu marcar nenhum show em 2016 e que teve todas as suas apresentações canceladas no fim de 2015. Ele atribui isso a uma "perseguição política", mas não esconde: "aquilo destruiu o meu Natal", disse.

O "boicote" acontece mesmo sem uma opinião política extremista de Lobão, que nega ser a favor de intervenção militar no Brasil. O músico compreende que seu posicionamento ideológico e político interfere diretamente em sua carreira artística. Ele, porém, é otimista. "Acho que isso não vai perdurar por muito tempo", comentou o carioca, que lançou um novo disco, intitulado "O rigor e a misericórdia", com financiamento coletivo.



Os "excessos ideológicos" que restringiram o mercado de Lobão podem estar na forma de se expressar. No passado, ele chegou a disparar críticas a músicos como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque. No fim do mês passado, porém, pediu desculpas aos três em uma carta aberta. Gil disse que não leu, mas que o perdoaria, Chico disse que não leu e nem leria, Caetano sequer se pronunciou.

Ainda durante a entrevista, Lobão revelou que, com todos os cancelamentos de shows, sua esposa e empresária, Regina, o comparou a Wilson Simonal, que também teve problemas na carreira por seus supostos posicionamentos políticos. No caso de Simonal, porém, ele foi acusado de ser "dedo-duro da ditadura".
Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.