terça-feira, 3 de maio de 2016

Os obscuros últimos anos de Vinnie Vincent
terça-feira, maio 03, 2016


Um dos grandes mistérios do rock nos últimos tempos tem nome e sobrenome: Vinnie Vincent. O músico que substituiu Ace Frehley no KISS, esteve na banda durante o período de transição para a fase sem maquiagem e retomou a fama posteriormente ao lançar o Vinnie Vincent Invasion se mergulhou no ostracismo após uma série de escolhas erradas. Hoje, ninguém sabe o que o músico faz da vida e alguns ingredientes dessa história deixam tudo ainda mais misterioso.

Desde a metade de década de 1990, quando fez participações em algumas convenções dedicadas a fãs de KISS e lançou um EP intitulado "Euphoria", com quatro músicas inéditas até então, Vinnie Vincent manteve-se recluso. As poucas informações obtidas entre esse período e o início da década de 2010 foram que Vincent havia lançado uma coletânea somente com solos - "Speedball Jam", de 2001 - e uma linha de guitarras signature.

O mistério sob a figura de Vinnie Vincent ganhou contornos policiais em maio de 2011. Ele foi preso após ser acusado de agredir sua esposa, Diane Cusano, na casa onde moravam, em Murfreesboro, no Tennessee, Estados Unidos. Vincent passou a noite na cadeia e foi liberado na manhã seguinte, após pagar fiança de US$ 10 mil.

Foi divulgado, posteriormente, que policiais encontraram quatro cães mortos em contêineres lacrados na casa de Vinnie Vincent. Tanto o (ex-)músico quando sua esposa disseram que seus outros cachorros acabaram atacando e matando os menores, cujos cadáveres estavam nos volumes. Nenhuma ocorrência foi registrada contra Vincent no que diz respeito a esse assunto.

Vinnie Vincent concordou em participar de terapia de controle da raiva, para evitar uma potencial disputa judicial e, consequentemente, a prisão. Em contrapartida, as acusações foram retiradas e a Justiça local expurgou o incidente do registro público.

Pouco tempo depois, Vinnie Vincent fez um (raro) comunicado divulgado à imprensa, pedindo para que os fãs não acreditassem em tudo o que estava sendo divulgado e que jamais machucaria alguém. Ainda segundo Vincent, as pessoas saberiam "a verdade" no momento certo.

Neste mês, o caso completa cinco anos e nem mesmo uma explicação coerente foi dada. Não que Vinnie Vincent tenha obrigação de argumentar com o público - a polícia resolveu a situação e pronto. Mas há uma pitada de mistério que perturba fãs ao redor do mundo.

O que aconteceu depois disso?

É difícil ter alguma precisão sobre o que aconteceu com Vinnie Vincent após o momento de exposição em 2011. Alguns fatos, no entanto, são públicos.

Em um comunicado feito após a retirada das acusações contra ele, Vinnie Vincent disse, também, que seu "fórum oficial" seria reaberto. A assinatura para participar do fórum custava US$ 500 anuais, no entanto, não é mais possível fazer novas contas porque Vincent fechou o espaço para membros que já não estivessem registrados anteriormente.

Segundo o relato de um usuário que se disse dono do domínio, Vinnie Vincent tomou o controle da administração do fórum dias depois da senha ter sido passada a ele, ainda em 2010. A partir de então, tornou-se o "local oficial".

Nesse fórum, Vinnie Vincent teria se mantido ativo até 2015. Ocasionalmente, ele respondia às mensagens do espaço de discussões e divulgavam produtos que havia colocado à venda. É incrível como um músico inativo há décadas ainda consiga colocar dezenas de internautas em um fórum pago e ainda fazer merchandising.

Em outro fórum, não-oficial, mas também sobre Vinnie Vincent, especula-se que o próprio músico crie vários perfis fakes para conversar com os membros presentes. Um canal no YouTube também existia, mas todo o conteúdo foi removido.

A carreira musical já era. Desde o fim da década de 1990, Vinnie Vincent prometeu lançar os seguintes registros: "Guitarmageddon", "Archives", "Rain (The Ballads)", "Before The Invasion" e "Vinnie's Angels". Com exceção de "Guitarmageddon", que seria, provavelmente, o material de "Guitars From Hell" - o suposto terceiro disco do Invasion, com Robert Fleischmann nos vocais e disponível em demos na internet -, só sairiam coletâneas.



Já que não é mais um músico produtivo - e, consequentemente, não tem mais o que vender -, Vinnie Vincent passou a leiloar tudo o que tem. No fim de 2014, ele anunciou, em seu site oficial, que aceitava lances em guitarras Jackson usadas durante seu período no KISS, o cinto que ele vestiu na capa do disco "Lick It Up", figurinos utilizados na época de mascarado, direitos autorais das 21 músicas dos dois discos do Vinnie Vincent Invasion e até mesmo um contrato empregatício, sem assinatura, entre Vinnie e o KISS.

O mais curioso, porém, está relacionado à vida pessoal de Vinnie Vincent. Sua esposa, Diane Cusano, morreu em janeiro de 2014, aos 47 anos, vítima de complicações causadas pelo alcoolismo. Desde então, Vinnie sumiu do mapa e só ressurgiu para anunciar que estava leiloando até as calças, conforme descrito no parágrafo anterior.

Meses depois do falecimento de Diane Cusano, a casa de Vinnie Vincent foi encontrada completamente abandonada. Imagens perturbadoras.




Desde então, não se sabe onde Vinnie Vincent está nem o que fez de sua vida. Provavelmente, ele vive de royalties até os dias de hoje. Aos 63 anos, não dá para se esperar muita coisa dele. Ainda mais que, ao longo dos anos, Vinnie conquistou uma péssima fama. Deu vários calotes em contratantes, processou seus ex-parceiros do KISS e do Invasion inúmeras vezes – perdeu todas, a última em 2013 contra Gene Simmons – e nem os músicos que trabalharam com ele algum dia em seus projetos falam bem dele.
Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.