quinta-feira, 16 de junho de 2016

Em extensa entrevista, Axl Rose fala de Guns N' Roses, AC/DC e mais
quinta-feira, junho 16, 2016


Axl Rose concedeu uma extensa coletiva de imprensa em Londres, na última semana. O cantor raramente dá entrevistas - muito menos coletivas -, o que torna o material ainda mais esclarecedor.

Durante o bate-papo, Axl Rose falou sobre o retorno de Slash e Duff McKagan ao Guns N' Roses, sua passagem como vocalista do AC/DC e até o estado da indústria da música. Veja alguns trechos de destaque:

Sobre o futuro do Guns N' Roses

Axl Rose: "Espero manter tudo bem por um bom tempo. Agora, está tudo ótimo. Quero lançar novas músicas com o Guns N' Roses e não sei se isso tem a ver com Slash ou não. Se ele quiser tocar em algo, será sensacional. A reunião não aconteceu por chance ou algo do tipo. Sempre foi encarada como uma possibilidade, mas nunca parecia correto de se fazer." (Leia também: Guns N' Roses vem ao Brasil em novembro para "vários shows", diz assistente de Axl Rose)

Sobre a reação de Slash a tocar músicas do "Chinese Democracy"

Axl Rose: "Sou um grande fã de nossa formação anterior, antes de voltar com Slash e Duff. Trabalhamos muito. Para ele assumir partes do Buckethead ou Bumblefoot, e por conta própria e ainda gostar, ajudou muito."


Sobre a volta de "Coma" ao repertório do Guns N' Roses

Axl Rose: "Nesse momento, gosto mais de tocar as coisas do 'Chinese Democracy', mas também acho muito legal tocar 'Coma'. Sabia que isso faria Slash feliz, assim como os fãs, e assim que soube que ficaria sentado na cadeira (por conta da lesão no pé), sabia que não teria que correr tanto."

Sobre o trabalho com Angus Young no AC/DC

Axl Rose: "É ótimo. Não consigo explicar. Sinto-me protetor, não quero deixar esse cara para baixo, mais do que quase todo mundo que conheço. E ele é muito sensível a mim. Já disseram que nunca o viram tão feliz e se mexendo no palco como agora. Entre as músicas, ele tem tocado outras coisas, o que potencialmente influencia em novas composições. É algo claro entre músicos."


Sobre a possibilidade de que os fãs o rejeitassem no AC/DC

Axl Rose: "Sei como é difícil. Muitas bandas simplesmente não querem abrir para o Guns N' Roses porque não querem lidar com nossos fãs. É algo parecido com o AC/DC. Eles são muito sérios com relação à banda que eles amam." (Leia também: Brian Johnson foi demitido do AC/DC "como um vendedor do Walmart", diz amigo do cantor)

Sobre músicas mais leves de Bon Scott no AC/DC

Axl Rose: "Você não encontra tanto na fase de Brian com o AC/DC, mas o que eu gosto na fase antiga de Bon no AC/DC é que, por mais que a música pudesse ser agressiva, a letra poderia ser sobre um coração partido ou algo do tipo. Ele fez com que fosse normal que homens tivessem sentimentos, assim como expressá-los de alguma forma também fosse algo comum."

Sobre sua adoração ao Queen

Axl Rose: "Queen sempre foi minha banda predileta. Freddie é o maior cantor da história, é a forma que vejo. Outra coisa sobre o Queen é que eles abraçaram muitos estilos diferentes."



Sobre suas cordas vocais

Axl Rose: "Tenho feito muitos exercícios vocais. As músicas de Brian Johnson em 'Back In Black' são muito exigentes. Cante aquilo errado e você provavelmente não estará por ali de novo."

Sobre a indústria da música

Axl Rose: "Os magnatas perceberam uma coisa: por que lidar com uma banda. Só se precisa de uma estrela e de um produtor. Eles até podem ser fãs genuínos de música, mas quando se trata de negócios, não há o que fazer. É o caminho mais fácil, o que dá mais dinheiro. Posso respeitar isso, mas como um artista e músico que trabalha com bandas, não me ajuda em nada e acho que isso não ajuda a música."

Sobre um suposto lobby na música

Axl Rose: "O Google e o YouTube mudaram as coisas para o artista e o governo saiu do caminho. Eles fazem um lobby intenso para pagar o mínimo de royalties. Não acho isso correto." (Leia também: Axl Rose afirma em rede social que não vai dar mais autógrafos)
Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.