segunda-feira, 20 de junho de 2016

Novo Rainbow impressiona, mesmo que só pela diversão
segunda-feira, junho 20, 2016


Fiquei um pouco impressionado com o que vi do novo Rainbow. Tanto pela performance musical, quanto pela repercussão em redes sociais.

Após quase 20 anos afastado do rock, Ritchie Blackmore decidiu voltar a tocar músicas do estilo que o consagrou. Dois dos três únicos shows da atual formação do Rainbow aconteceram, no último fim de semana, no Monsters Of Rock alemão. No próximo sábado (25), a banda toca de novo na Inglaterra.

Além de ter feito história como guitarrista de rock, Ritchie Blackmore também atraiu os holofotes para si no último fim de semana por ser um sujeito enigmático. Desde o fim definitivo do Rainbow enquanto banda, em 1997, Blackmore se dedica ao duo Blackmore's Night, ao lado da esposa Candice Night. O estilo é totalmente diferente: eles tocam música celta, com base no folk europeu.


O guitarrista raramente dá entrevistas e, quando dá, pouco fala de seu passado. Ele sequer apareceu à cerimônia que homenageou o Deep Purple no Rock And Roll Hall Of Fame. Blackmore instiga a curiosidade de muitos por ter fugido do óbvio. Seria mais cômodo continuar com o Rainbow depois de 1997, mas não foi a sua opção.


Tão dedicado aos violões e bandolins nas últimas duas décadas, Ritchie Blackmore, enfim, voltou a empunhar uma guitarra. Por tempo limitado e provavelmente pela última vez. "Sem chances de turnê ou novo disco [com o Rainbow]. Só queria voltar a tocar as músicas antigas mais uma vez. Meu comprometimento é com o Blackmore’s Night. Esses shows serão apenas por diversão", disse, em recente entrevista.

Meu lado humano compreende que Ritchie Blackmore tem 71 anos. Ele não deve ter mais saco para turnês longas, gravações de discos de hard rock, barulheira em shows, rotina reclusa em função das viagens, entre outros. Blackmore está focado no projeto folk que lança um disco a praticamente dois anos e não faz tantos shows.


Porém, já a minha visão de fã entende que seria interessante ver Ritchie Blackmore gravar um disco final com o Rainbow ao lado dos músicos que o acompanham. Os vídeos das duas apresentações do fim de semana mostram que Blackmore está acompanhado de ótimos músicos: o vocalista Ronnie Romero (Lords Of Black), o tecladista Jens Johansson (Stratovarius), o baterista David Keith (Blackmore's Night) e o baixista Bob Nouveau estão nessa empreitada e não fizeram feio.

Nos vídeos é possível ver que Ritchie Blackmore praticamente toca em câmera lenta. Mal se move no palco. Ainda assim, não deixa a desejar. A energia não é a mesma de antes, mas a performance musical segue irretocável. Da nova formação, vale destacar a excelente participação de Ronnie Romero, que mandou bem nas músicas do Rainbow e do Deep Purple.


As boas apresentações foram o suficiente para que redes sociais e seções de comentários em sites do estilo recebessem diversas manifestações de fãs que, mesmo em vídeos, puderam ver uma encarnação recente do Rainbow. Confesso que não esperava. Pensei que passaria um pouco despercebido, já que Ritchie Blackmore anda "sumido do rock".

Não passou. Ritchie Blackmore fez e faz falta ao gênero musical em questão. Seu jeito intempestivo, que se reflete em suas ótimas composições e seu estilo único de tocar guitarra, é autêntico o bastante para que ele se tornasse o assunto principal, dentro deste segmento, no último fim de semana. Sabemos que ele não vai voltar. Aos fãs, resta aproveitar os três shows praticamente derradeiros de Blackmore com o Rainbow - e o possível novo DVD, que deve vir com base nessas apresentações.

Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.