terça-feira, 26 de julho de 2016

Sircle Of Silence, a faceta metal de David Reece
terça-feira, julho 26, 2016


Quem teve alguma paciência ao ouvir e assimilar o subestimado "Eat The Heat" (1989), do Accept, provavelmente se surpreendeu com David Reece. O vocalista americano teve a difícil tarefa de substituir Udo Dirkschneider na banda alemã.

Por mais que os fãs mais tradicionais ignorem "Eat The Heat", justamente por sua pegada mais "americanizada", David Reece se saiu bem em sua tarefa de maior reconhecimento até os dias de hoje. O que há de melhor em sua trajetória, porém, é a discografia posterior ao Accept.

Após se envolver com o ótimo projeto de hard rock Bangalore Choir, David Reece mergulhou de vez no heavy metal com o Sircle Of Silence. O projeto foi composto, também, pelo guitarrista Larry Farkas (Vengeance Rising), pelo baixista Chris Colovas (Masi) e pelo baterista Jay Schellen (Asia, Hurricane, Unruly Child).


Atenção: o áudio do clipe acima está bem baixo.

Não há muita semelhança entre o Sircle Of Silence e o Bangaloire Choir. A essência da voz e do estilo de David Reece está presente em ambos, mas é como se o Sircle Of Silence não contasse com dedo de produção ou ganchos melódicos típicos do hair metal. A pegada é dark, como se pedia na década de 1990.

O Sircle Of Silence lançou dois discos de propostas parecidas: o debut autointitulado, de 1993, e o posterior "Suicide Candyman", de 1994. A falta de uma boa produção - provavelmente pelo baixo orçamento, já que os trabalhos são independentes - é o único defeito de ambos os álbuns.



A influência de Judas Priest, principalmente na voz de David Reece, é notável. Larry Farkas, por sua vez, se destaca como um filho bastardo de Zakk Wylde. O restante do instrumental é bom e dá uma dose extra de peso, especialmente pelo competente Jay Schellen, uma espécie de nome consagrado no underground do hard rock.

Após dois discos de praticamente nenhum sucesso, o Sircle Of Silence encerrou as atividades. David Reece não voltou a fazer metal novamente, Jay Schellen se consolidou como músico de estúdio e os demais músicos desapareceram do mercado.

Por mais que eu considere que o debut se destaque, os dois álbuns do Sircle Of Silence merecem atenção. Para quem tiver um pouco mais de tempo disponível, vale conferir outros trabalhos da discografia de David Reece.

"Sircle Of Silence" [1993]



1. Color Blind
2. Talk To Myself
3. Bring Me A Miracle
4. Pieces of a Fallin' Star
5. Craving
6. Angels Cryin'
7. Death By a Word
8. Livin' Above the Law
9. Landslide
10. Dancin' On the Sun
11. Words Get Lost
12. Slow Burn

"Suicide Candyman" [1994]



1. Suicide Candyman
2. Gonna Die Laughing
3. Walls and Bridges
4. There's Nobody Sacred
5. 9-Lives
6. Someday Never Comes
7. Sail Away
8. Gift Horse Mouth
9. No Turnin' Back
10. Drive the Nail

Veja também:

“Exposed”, de Vince Neil, é uma pérola perdida do hard rock
Million Dollar Reload, a banda anônima de hard rock que você precisa ouvir
- 15 bons discos de hard rock da 2ª metade da década de 1990
Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.