quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Cinco anos sem Jani Lane, o eterno vocalista do Warrant
quinta-feira, agosto 11, 2016


Neste 11 de agosto, a morte de Jani Lane, ex-vocalista do Warrant, chega a seu quinto aniversário. Um falecimento melancólico, arrastado e praticamente anunciado de forma prévia, meses - ou anos - antes de acontecer.

Morto aos 47 anos, no dia 11 de agosto de 2011, Jani Lane deixou a impressão de que talvez tenha atingido o máximo de fama que poderia entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 1990, mas que poderia ter tido uma carreira muito mais sólida após isso. Cantor, multi-instrumentista e compositor de talento, Lane foi engolido pelo alcoolismo desde o momento em que sua conta bancária engordou.

O mais jovem entre os cinco filhos de Eileen e Robert Oswald, Jani Lane tinha nome de presidente: John Kennedy Oswald. Desde cedo, mostrava talento para a música, pois, logo aos seis anos, começou a aprender a tocar guitarra, piano e bateria com dois de seus irmãos. Lane sempre foi ligado ao rock e deu início à carreira de músico aos 11, tocando em pubs de sua cidade natal, Akron, em Ohio, Estados Unidos.



Logo após se formar no colegial, Jani Lane recusou uma bolsa de estudos por excelência atlética - era um bom jogador de futebol americano - para buscar o sonho de se tornar uma estrela do rock. Transitou por bandas e cidades até se mudar em definitivo com o baterista Steven Sweet, que viria a integrar o Warrant, para Los Angeles, em 1984. Viveu a decadência do "rock pobre" como muitos que tentaram a fama por ali, chegando a dividir uma casa com outras 12 pessoas.

Warrant e consagração

O Warrant foi formado pelo guitarrista Erik Turner no mesmo ano em que Jani Lane se mudou para Los Angeles. Além de Lane e Sweet, que entraram em 1986, e Turner, completavam a formação os músicos Jerry Dixon e o guitarrista Joey Allen.

Cerca de dois anos, veio o contrato com a Columbia Records. "Dirty Rotten Filthy Stinking Rich" [1989], disco de estreia, demorou um pouco a ser lançado porque Jani Lane sofreu um colapso nervoso ao flagrar sua namorada com Richie Sambora na cama - história que veio a ser contada na música "I Saw Red", no trabalho seguinte. Mas o álbum saiu e colocou o Warrant em evidência.



O auge veio com "Cherry Pie" [1990], especialmente em função da música que dá nome ao disco e seu videoclipe. Foi, inclusive, nas gravações do clipe que Lane conheceu sua futura esposa, a atriz Bobbie Brown, que namorava com Matthew Nelson à época.

Jani Lane sempre se mostrou um sujeito intenso e, de certa forma, impulsivo - fator de risco para que problemas relacionados a álcool e drogas aparecessem. Ele gastou o seu primeiro grande pagamento recebido da gravadora em um carro de luxo e o destruiu semanas depois. Casou-se com Bobbie Brown, que já estava grávida, menos de um ano após conhecê-la. Tudo era muito rápido.

Decadência profissional e problemas

O sucesso de Jani Lane também foi intenso e rápido. O topo foi conquistado em menos de dois anos e não foi possível se manter por ali. "Dog Eat Dog" [1992], terceiro disco do Warrant, teve boa repercussão, mas não repetiu o sucesso dos álbuns anteriores. Lane não se conformava com isso e saiu do Warrant para apostar em uma carreira solo, mas voltou menos de um ano depois.

Jani Lane já tinha problemas de alcoolismo relatados enquanto ainda estava no auge de sua carreira. Bobbie Brown afirma, em entrevistas e depoimentos anteriores, que Lane se transformava em outra pessoa quando bebia. Há quem diga que o cantor não tinha problemas com outras drogas. A questão era mesmo com o álcool.



O sucesso da banda foi comprometido pelos problemas pessoais de Jani Lane, que era o principal compositor. E o álcool, em si, resultou no fim do casamento entre o cantor e Brown, em 1994, três anos depois.

No underground

Entre 1994 e 2004, o Warrant lançou discos por gravadoras modestas, fez turnês em pequenas casas de shows, sofreu com repetidas mudanças em sua formação e sobreviveu da forma que dava. Até que Jani Lane saiu, em janeiro de 2004.

O relacionamento com Jani Lane era complicado a ponto de mudanças na formação da banda se tornarem rotineiras. O próprio vocalista saía do grupo e pedia para voltar dias depois. Relatos apontam que o problema estava mesmo quando Lane bebia. O cantor entrou em clínicas de reabilitação diversas vezes, mas não deu certo.



Curiosamente, quando Jani Lane saiu de vez, em 2004, os demais membros da formação original da banda voltaram a tocar juntos. Não foi por acaso: com Jaime St. James no lugar de Lane, o relacionamento era bem mais fácil, segundo os próprios músicos.

Paralelamente, Jani Lane lançou o disco solo "Back Down To One" [2003] e o álbum "Love The Sin, Hate The Sinner", com o projeto Saints Of The Underground [2008]. Ambos os trabalhos ficaram restritos ao underground, como tudo produzido pelo Warrant após "Dog Eat Dog".



No âmbito pessoal, Jani Lane se casou com outra modelo/atriz: Rowanne Brewer, que ficou conhecida recentemente por expor à mídia detalhes de seu namoro com Donald Trump, candidato à presidência dos Estados Unidos. Lane e Brewer ficaram juntos entre 1996 e 2005 e tiveram uma filha.

Reunião e decadência pessoal

Warrant e Jani Lane voltaram a se apresentar juntos em 2008, mas a reunião foi incrivelmente conturbada. Poucos meses depois de voltarem a tocar juntos, Lane e os músicos se desentenderam. E a motivação foi, novamente, relacionada ao alcoolismo do cantor.

O vocalista subiu bêbado ao palco em várias apresentações. Além de protagonizar fiascos em suas performances - como esquecer letras, se perder nas músicas ou cantar mal -, Jani Lane chegou a bradar "eu sou o Warrant" durante um show. Fim da linha. Dessa vez, Lane foi demitido ao invés de sair por conta própria.



Erik Turner explicou, em entrevista concedida ao site Rock Music Star no ano de 2011, que a banda pagou tratamentos para Jani Lane superar a dependência. Não havia uma garrafa de bebida alcoólica sequer nos camarins. "Mas ele desaparecia e voltava bêbado - isso quando voltava", afirmou.

A decadência pessoal se atenuava. O fracasso com o Warrant, os casamentos sem sucesso e a morte da mãe, em 2004, deixaram Jani Lane em frangalhos.

Entre 2009 e 2010, o vocalista foi preso duas vezes por dirigir embriagado. Também em 2009, tornou-se pública uma dívida de US$ 121 mil com a Receita dos Estados Unidos, acumulada entre 1997 e 2006. Já no início de 2011, ano de sua morte, uma turnê solo do cantor foi cancelada devido aos problemas com o alcoolismo, apesar de ele ter voltado pouco tempo depois substituindo Jack Russell no Great White.



Os sinais de que Jani Lane estava prestes a morrer e precisava de ajuda eram claros. Apenas um milagre poderia salvá-lo. Infelizmente, isso não aconteceu.

Morte no fundo do poço

Jani Lane foi encontrado morto em um quarto de hotel em Los Angeles, em 11 de agosto de 2011, vítima de intoxicação alcoólica. Ele estava sozinho na ocasião. Remédios e uma garrafa de vodca foram encontradas no local.

Além de não carregar nenhum centavo ou documento consigo, Jani Lane estava com um bilhete no bolso de sua calça que dizia "Eu sou Jani Lane" e o número de telefone de uma pessoa próxima. O recado havia sido escrito por outra pessoa, que previu que Lane poderia ser encontrado desacordado em algum lugar.

A situação era um pouco inusitada, pois Jani Lane havia se casado com Kimberly Nash em 2010. Até hoje, não se sabe porque Lane estava longe de sua esposa na cidade onde o casal morava. Ele foi expulso de vários hotéis nas suas últimas semanas de vida.



Brigas na imprensa se tornaram comuns entre familiares de Jani Lane e músicos do Warrant. Mas, no fim das contas, não existe culpado. Alcoolismo é uma doença e Lane, infelizmente, sucumbiu a ela.

É triste afirmar que a morte de Jani Lane era esperada. Trata-se, porém, de uma afirmação real. Era uma questão de tempo.



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Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.