segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Seis músicas para os 60 anos de Brian Robertson
segunda-feira, setembro 12, 2016


Ex-guitarrista do Thin Lizzy e do Motörhead, Brian Robertson atingiu o estrelato cedo demais. Dei-me conta disso quando percebi que, nesta segunda-feira (12), o guitarrista faria "apenas" 60 anos. Para efeito de comparação, Phil Lynott teria chegado aos 67 em 2016 se não tivesse falecido.

A pouca idade influenciou para que Brian Robertson não soubesse como se portar com a fama. Ele se tornou alcoólatra aos 20 e teve uma carreira inconstante em função disso.

Por outro lado, Brian Robertson tem grandes méritos. Entrou para o Thin Lizzy com apenas 18 anos e foi um dos responsáveis por mudar a cara da banda. Com um jeito peculiar de tocar, desenvolveu uma parceria influente ao lado de Scott Gorham: os dois guitarristas introduziram de vez as guitarras gêmeas ao rock.

No Motörhead, há quem diga que tenha agido de forma errada ao tentar mudar o som da banda. Mas nada era feito no grupo sem o aval de Lemmy Kilmister. E Lemmy aprovou aquela pegada - apesar da ideia de não tocarem mais os clássicos feitos com "Fast" Eddie Clarke não ser das melhores.

Além disso, o único disco do Motörhead gravado cmo Brian Robertson é muito bom. "Another Perfect Day" (1983) se tornou um clássico cult, o tipo de trabalho que merece ser ouvido mais vezes para ser devidamente compreendido.

Em homenagem ao 60° aniversário de Brian Robertson, seis momentos de destaque do guitarrista.

1) Thin Lizzy - "Still In Love With You" (ao vivo): a versão de estúdio desta música, presente no disco "Nightlife" (1974) foi gravada com Gary Moore. Mas ganhou identidade extra quando foi parar nas mãos de Brian Robertson. O registro em "Live And Dangerous" (1978), com seu solo ao meio, é irretocável.



2) Thin Lizzy - "Silver Dollar": única música composta somente por Brian Robertson no catálogo do Thin Lizzy. Lado B com curiosos momentos que remetem ao reggae.



3) Thin Lizzy - "Don't Believe A Word": uma das melhores notas de abertura de um solo que já ouvi. É o suficiente.



4) Wild Horses - "Street Girl": a parceria entre Brian Robertson e Jimmy Bain não foi das melhores, mas até que rendeu algumas músicas divertidas. "Street Girl" é uma delas.



5) Motörhead - "I Got Mine": gera estranheza ver o Motörhead bem produzido e com tendências hard rock. Mas "Another Perfect Day" foi o melhor momento "fora da curva" da banda. "I Got Mine", um rock single com barba, cabelo e bigode feitos, reflete isso.



6) Brian Robertson - "Devil In My Soul": demorou muito para que Robertson lançasse um disco solo. "Diamonds And Dirt" (2011) mostra suas raízes blues rock. A música "Devil In My Soul", em especial, é um crossover curioso entre ZZ Top e Led Zeppelin.



Veja também:

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Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.