terça-feira, 11 de outubro de 2016

The Darkness: a conturbada saída do líder Justin Hawkins
terça-feira, outubro 11, 2016


O The Darkness foi uma das bandas responsáveis por trazer algum glamour de volta ao rock na década de 2000. Ao lado do Jet e outros nomes, o grupo liderou um movimento "rock revival", em meio à onda alternativa que representava o rock no mainstream naquele momento.

A saída do vocalista e guitarrista Justin Hawkins, anunciada em 11 de outubro de 2006, não teve pompa ou glamour algum. Na verdade, o mundo soube que Justin não fazia mais parte do grupo pela imprensa, após ele conceder uma entrevista ao tabloide The Sun.

"Me sinto mal pelos caras. Será um transtorno, mas é hora de mudar. Seria perigoso para minha recuperação ficar na banda. Não culpo o grupo pelo meu problema. Sou um viciado. Há pessoas que podem ficar numa banda e permanecerem sóbrias. Eu não", declarou Justin, em entrevista ao The Sun.



Na época, Justin Hawkins enfrentava problemas relacionados ao abuso de álcool e drogas. Ele disse que gastou mais de 150 mil libras em cocaína entre 2003 e 2006. Em agosto de 2006, o músico havia sido internado em uma clínica de reabilitação em Londres, após sofrer com crises de depressão e ansiedade.

O tratamento foi concluído com sucesso, mas Justin Hawkins decidiu que, para a sua saúde, deveria ficar fora do The Darkness por um tempo. Como era o vocalista e principal compositor da banda, era nítido que sua saída resultaria no fim da banda.



No mesmo dia em que a reportagem veio à tona, os demais integrantes do The Darkness (o baixista Richie Edwards, o baterista Ed Graham e o irmão de Justin, o guitarrista Dan Hawkins) comunicaram, por meio de um fórum dedicado à banda, que ainda estavam em choque.

"Lamentamos que vocês tenham ficado sabendo pelos jornais, mas esperávamos, até o último minuto, que isso não fosse acontecer. Estamos em total choque e não sabemos dizer o que o futuro nos reserva. Gostaríamos de agradecer a todos os fãs, parceiros e familiares pelo apoio. Vocês vão ouvir de nós, já que sabemos o que queremos fazer", afirmaram os demais músicos, em nota conjunta publicada no fórum.

Os rumores de que o The Darkness continuaria sem Justin Hawkins não foram adiante. Melhor do que isso: Dan, Ed e Richie montaram uma banda chamada Stone Gods, com a adição do baixista Toby MacFarlaine.



Lançaram, em 2008, o impressionante "Silver Spoons & Broken Bones". Digo sem medo que é um dos melhores discos de hard n' heavy lançados nas últimas décadas. Som consistente, com base nos clássicos, mas muita identidade: especialmente pela performance de Richie Edwards, que, aqui, assume tanto os vocais quanto a guitarra rítmica.

Também em 2008, Justin Hawkins montou uma banda chamada Hot Leg, com os músicos Pete Rinaldi (guitarra), Samuel SJ Stokes (baixo) e Darby Todd (bateria). O único trabalho lançado pela banda, "Red Light Fever" (2009), seguiu a linha do The Darkness, mas com Justin exagerando bastante nos vocais agudos. O resultado não chegou aos pés do que foi apresentado pelo Stone Gods.



Ambos os projetos chegaram ao fim em 2010, para que, no início de 2011, o The Darkness anunciasse uma turnê de reunião, com  baixista original Frankie Poullain no lugar de Richie Edwards. Desde então, dois bons discos foram lançados: "Hot Cakes" (2012) e "Last Of Our Kind" (2015), este sem Ed Graham na bateria.

Por mais que o fim do The Darkness tenha sido causado por motivos de saúde, a banda nunca mais voltou a ser a mesma desde que retornou à ativa. Os dois discos lançados nesta década são bons, mas não conquistaram a mesma repercussão dos trabalhos iniciais, "Permission to Land" (2003) e "One Way Ticket to Hell... and Back" (2005).



Vale destacar que o segundo álbum do The Darkness não fez o mesmo sucesso do primeiro. O "fracasso" teria sido, inclusive, uma das grandes causas dos problemas de saúde de Justin Hawkins, já fragilizado pelo abuso de drogas. Mas o grupo ainda estava na crista da onda, com apresentações em grandes festivais e turnês de médio porte.

A onda "rock revival" poderia ter sido muito maior se fosse liderada por uma banda constante, que não tivesse parado no auge. Não foi o caso do The Darkness. No entanto, pelo que Justin Hawkins conta sobre o período de abusos, é de se impressionar o fato de ele ainda estar vivo.

Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.