terça-feira, 16 de maio de 2017

Plágios? 6 músicas do Deep Purple com "excesso de influências"
terça-feira, maio 16, 2017


Especialmente em seus primórdios, era comum que bandas de rock reproduzissem melodias já compostas por outros artistas. Era uma forma de fazer versões, em um gênero diferente, de uma mesma composição.

No entanto, houve ocasiões em que o Deep Purple, uma das maiores bandas de rock da história, parece ter exagerado nas influências. Em alguns casos listados abaixo, podem ser coincidências. Já em outros, os próprios músicos admitiram que houve cópia.

Veja, abaixo, seis casos de "excesso de influência" na discografia do Deep Purple:

"Child In Time" (1970)

Um dos casos mais polêmicos e comentados é o de "Child In Time", música lançada em 1970 pelo Deep Purple. A introdução é muito semelhante à canção "Bombay Calling", de It's A Beautiful Day, divulgada um ano antes.

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O vocalista Ian Gillan chegou a explicar, em entrevistas posteriores, a raiz desta semelhança.

"Quando Jon (Lord, tecladista) estava tocando essa melodia no teclado, soou legal e pensamos em tocá-la por aí, mudar algo e fazer algo novo mantendo a base. Mas nunca tinha escutado a original, 'Bombay Calling'. Criamos essa canção usando a Guerra Fria como tema. [...] Então, Jon fez as partes de teclados e Ritchie (Blackmore, guitarra) já tinha os seus trechos prontos", disse, em uma das ocasiões.

Curiosamente, o It's A Beautiful Day parece ter se inspirado bastante em um trecho de "Wring That Neck", do Deep Puprle, para fazer a música "Don And Dewey", lançada em 1970.

"Black Night" (1970)

O riff principal de "Black Night" é bastante parecido com o arranjo que o músico Ricky Nelson fez para "Summertime", composição de George Gershwin.

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A versão original de "Summertime" foi feita para o musical "Porgy and Bess", de 1935. Décadas depois, em 1962, Ricky Nelson fez uma adaptação da música e a lançou.

Em entrevistas, o baixista Roger Glover e o tecladista Jon Lord confirmaram que "Summertime" foi a grande inspiração para "Black Night".

Embora a semelhança exista, há outra música, lançada em 1966, com um riff bem parecido: "(We Aint Got) Nothin' Yet", dos Blues Magoos.



"Fireball" (1971)

O início da faixa que dá nome ao quinto álbum do Deep Purple guarda algumas semelhanças com "Rock Star", canção lançada pelo Warpig no ano anterior.

Apesar da forte similaridade, nenhum integrante do Deep Purple falou, em entrevistas, sobre o caso.

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"Smoke On The Water" (1972)

Uma das situações mais impressionantes da lista é a que envolve "Smoke On The Water". O clássico riff da música é muito semelhante à passagem inicial de "Maria Moita", lançada pelo músico brasileiro Carlos Lyra em 1963.

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"Maria Moita" é uma composição de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, que foram parceiros autorais por muitos anos. A canção foi feita para o musical "Pobre menina rica".

Ritchie Blackmore, responsável pelo riff em questão, nunca falou sobre a incrível semelhança entre as melodias. Ele já chegou a dizer, por outro lado, que tirou a sequência de notas de uma composição da 5ª Sinfonia de Beethoven - só que com as notas ao contrário.

"Lazy" (1972)

Embora eu não ache tão semelhante, muito se diz que o riff inicial de guitarra de "Lazy", do Deep Purple, foi muito inspirada no blues instrumental "Steppin' Out", lançada por Memphis Slim em 1959.

A música se tornou mais conhecida após ter sido regravada por Eric Clapton com três projetos diferentes. São eles: Eric Clapton and the Powerhouse, John Mayall & the Bluesbreakers e Cream.

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"Burn" (1974)

O riff inicial da faixa que dá nome ao primeiro álbum com David Coverdale e Glenn Hughes é, curiosamente, muito semelhante ao de uma música popular da década de 1920. Trata-se de "Fascinating Rhythm", composta por George Gershwin e lançada em 1924.

Novamente, Gershwin marcou presença na lista dos supostos plágios. E, mais uma vez, ninguém do Deep Purple comenta sobre o caso.

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(Observação: no vídeo acima, o trecho semelhante ao riff de "Burn" começa a partir dos 34 segundos)
Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.