terça-feira, 28 de novembro de 2017

Entrevista: Steve Morse fala sobre "adeus" do Deep Purple, Brasil e futuro
terça-feira, novembro 28, 2017

(Na foto - de divulgação -, da esquerda para a direita: Ian Gillan, Steve Morse, Roger Glover, Ian Paice e Don Airey)
(Conduzi essa entrevista para o Whiplash.Net - Rock e Heavy Metal. Por aqui, apenas reproduzo o conteúdo)

O Deep Purple contrariou a lógica humana por algum tempo - e ainda a contraria. Não se esperava que a banda seguisse em intensa atividade depois que alguns de seus membros, como o vocalista Ian Gillan (hoje com 72 anos) e o baterista Ian Paice (com 69), atingissem a casa dos 60 anos. Um dos pioneiros de uma fusão pesada entre rock progressivo e hard rock, o grupo ainda toca alguns clássicos que demandam algum esforço físico para sua execução, especialmente diante do microfone ou com as baquetas em mãos.

Ainda assim, a banda britânica segue em atividade e cumprindo bem o seu papel diante do público. Só que a carreira do Purple não deve se esticar por muito tempo. O grupo composto por Gillan, Paice, Roger Glover (baixista), Steve Morse (guitarrista) e Don Airey (tecladista) anunciou, no fim de 2016, a sua turnê de despedida, intitulada "The Long Goodbye Tour".



A turnê passará pelo Brasil com três datas, a serem realizadas em Curitiba (12/12), São Paulo (13/12) e Rio de Janeiro (15/12). Pelo país, vale destacar, a excursão será feita em formato de festival, chamado "Solid Rock", que contará, ainda, com apresentações de Cheap Trick e Tesla. O mesmo formato também estará pela Argentina e pelo Chile, dias antes das performances em terras tupiniquins.

Em depoimentos anteriores, os integrantes do Deep Purple se mostraram receosos ao cravar que a "The Long Goodbye Tour" seja, de fato, a última excursão da banda. Contudo, em entrevista exclusiva ao Whiplash.Net, concedida por telefone, o guitarrista Steve Morse disse que a turnê deve representar, sim, o adeus do grupo.

"(A turnê pelo Brasil) Será um ótimo momento para ver a banda, pois todos do grupo estão percebendo que não têm mais 20 anos. Então, todo momento conta e todo show é precioso, pois pode ser o último", disse Steve Morse. "Acredito que será a última turnê que faremos. Alguns dos caras querem morrer no palco, tocar para sempre", completou, aos risos.



Curiosamente, o "adeus" do Deep Purple foi divulgado ao mundo em meio a um período produtivo. Nos últimos anos, a banda lançou dois discos de estúdio, intitulados "Now What!?" (2013) e "inFinite" (2017) - este último, anunciado pouco antes da "The Long Goodbye Tour", mas com lançamento ligeiramente posterior. Além disso, o grupo mantém-se em constante atividade na estrada, com uma média de 50 a 70 shows anuais - somente os anos de 2012 e 2016, em que os dois últimos álbuns foram gravados, fugiram à regra.

Enquanto a aposentadoria não chega, visto que a promessa é de que a "The Long Goodbye Tour" dure por alguns anos, o Deep Purple já está nos preparativos para a passagem pelo Brasil. Durante o bate-papo, Steve Morse disse que o repertório contará com clássicos incontestáveis, músicas de "inFinite" e outras canções conhecidas que não foram tão tocadas em turnês passadas.

"É difícil de se dizer (o que tocaremos na turnê pelo Brasil), pois não montamos o repertório até pouco antes do show. Mas estamos tocando as músicas novas do 'inFinite' e os grandes clássicos, além de alguns clássicos diferentes, como 'Knocking At Your Backdoor'. Será um pouco diferente", disse Morse.

Relação especial com Brasil

Muitos artistas são um pouco demagogos ao falarem sobre o Brasil. Não poupam elogios ao público, mas poucos chegam a excursionar pelo país mais do que algumas vezes em suas carreiras.

O Deep Purple adora mesmo o Brasil e comprova isso a partir de números: a turnê marcada para dezembro será a 12ª da banda pelo país. Steve Morse esteve em quase todas - exclui-se a de 1991, quando o grupo veio com Ritchie Blackmore na guitarra e Joe Lynn Turner nos vocais, para promover o álbum "Slaves And Masters" (1990).



"Por algum motivo, as pessoas no Brasil têm um amor pela história da banda", afirmou Steve Morse. "Acho que o Deep Purple antigo ajudou nisso, por seu som mais pesado. Não que o Deep Purple soe agora como uma banda de metal, mas o grupo é um primo próximo do heavy metal. O público brasileiro gosta de música com energia, pois são pessoas enérgicas, com muita paixão pela música."



Disco novo na bagagem

Conforme destacado anteriormente, o Deep Purple lançou "inFinite" neste ano - para ser mais exato, no dia 7 de abril. Trata-se do 20° disco de estúdio da banda e, devido às conversas sobre aposentadoria, pode ser o último.

- Resenha: Deep Purple acerta em "InFinite" graças ao experimental dosado

Steve Morse destacou que o processo de composição de "inFinite" durou bastante tempo, embora sua sessão de gravação tenha sido breve. "Não houve um momento particular em que sentimos que deveríamos lançar 'inFinite'. A composição do álbum durou quase dois anos. Quando tivemos algum tempo livre, nos reunimos para gravar, em 10 dias ou duas semanas", afirmou.



O guitarrista não economizou elogios ao produtor Bob Ezrin (Alice Cooper, Kiss, Pink Floyd), que, assim como no antecessor "Now What!?", comandou a produção em "inFinite". "Bob é um cara incrível para se trabalhar, um dos mais inteligentes que já vi na indústria musical. Ele é capaz de perceber todas as possibilidades. É alguém difícil de se agradar, mas sempre consegue bons resultados. A questão é: como fazer o melhor produto para que os ouvintes tenham a melhor experiência? Não é sobre deixar-nos felizes", disse.

Qual o disco mais subestimado do Deep Purple, segundo Ian Gillan



O peso do "adeus"

A resposta mais longa de Steve Morse durante a entrevista foi à pergunta: "Se o Deep Purple realmente acabar, o que você poderia dizer sobre essa experiência?". O guitarrista reconhece que ocupou uma posição difícil - a de substituir Ritchie Blackmore, um dos membros fundadores -, mas demonstrou gratidão e dedicação em meio ao ótimo trabalho desempenhado em mais de duas décadas com o grupo.

"Tudo foi incrível. Comecei ocupando o lugar de um membro fundador da banda (Ritchie Blackmore). Tommy Bolin e até Joe Satriani fizeram isso antes de mim, então, não foi uma ideia nova. Porém, cada pessoa faz de forma diferente. É uma grande honra ter a confiança das pessoas de sua equipe. E você retribui essa confiança oferecendo tudo o que tem para a equipe", disse o músico, cuja cautela com as palavras é a mesma que tem com as notas que toca na guitarra.

Por que Joe Satriani não quis ficar no Deep Purple?
Tommy Bolin: o guitarrista que poderia ter se tornado lenda



Morse destacou que a química presente entre os membros do Deep Purple deve estar evidente para os fãs até o último momento. "O mais importante é que as pessoas que vão aos shows vejam o amor e o respeito que temos entre nós e pela música, bem como o quanto queremos trabalhar em prol do público. Acho que o que digo pode soar um pouco geral demais, mas estou escolhendo as palavras com cuidado porque é verdade", disse.



O futuro de Morse

Steve Morse é ligeiramente mais jovem que seus colegas de banda - tem 63 anos -, mas possui o mesmo tempo de carreira que o Deep Purple. E não descarta reduzir o ritmo de trabalho após um eventual fim do grupo. "Já faz 50 anos que toco milhares e milhares de notas diariamente. Não me faria mal se eu desacelerasse um pouco (risos), tirar um pouco do estresse das costas. Há algumas razões físicas que influenciam", afirmou.

Contudo, apesar do Purple estar prestes a encerrar sua trajetória, Morse não parece estar disposto a parar por completo. Sempre ativo, o músico é notável por seus projetos paralelos, como a Steve Morse Band, o Dixie Dregs e o supergrupo Flying Colors, com Mike Portnoy. "Nunca serei alguém quieto e que somente descansa. Vou continuar fazendo música, só quero poder dizer quantos dias eu ficarei fora de casa, ou quando estarei em casa. Não tenho controle sobre minha agenda há mais de 20 anos", disse.

Serviço - Solid Rock - Deep Purple, Cheap Trick e Tesla no Brasil

Curitiba (PR)

- Data: terça-feira, 12 de dezembro, às 19h
- Local: Pedreira Paulo Leminski (Rua João Gava, 970, Abranches)
- Preços: R$ 290 (pista), R$ 580 (pista premium) e R$ 660 (camarote) - há meia-entrada
- Compra de ingressos: http://premier.ticketsforfun.com.br/shows/show.aspx?sh=SOLIRUMB

São Paulo (SP)

- Data: quarta-feira, 13 de dezembro, às 19h
- Local: Allianz Parque (Rua Turiassú, 1840, Perdizes)
- Preços: R$ 260 (arquibancada superior), R$ 290 (pista), R$ 390 (arquibancada inferior) e R$ 580 (pista premium) - há meia-entrada
- Compra de ingressos: http://premier.ticketsforfun.com.br/shows/show.aspx?sh=SOLIRUMB

Rio de Janeiro (RJ)

- Data: sexta-feira, 15 de dezembro, às 19h30
- Local: Jeunesse Arena (Avenida Embaixador Abelardo Bueno, 3401, Barra da Tijuca)
- Preços: R$ 250 (cadeira superior), R$ 280 (cadeira central), R$ 310 (pista), R$ 350 (cadeira lateral) e R$ 580 (pista premium) - há meia-entrada
- Compra de ingressos: http://premier.ticketsforfun.com.br/shows/show.aspx?sh=SOLIRUMB
Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.