segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Lita Ford não se arrepende de expor relação abusiva com Tony Iommi
segunda-feira, novembro 20, 2017


A cantora e guitarrista Lita Ford revelou, em entrevista a Eddie Trunk (transcrita pelo Blabbermouth), que não se arrependeu de ter exposto a postura abusiva do também guitarrista Tony Iommi durante o tempo em que se relacionaram. Eles chegaram a ficar noivos na década de 1980.

As alegações de Lita Ford foram feitas na autobiografia "Living Like A Runaway: A Memoir". No livro, ela disse que Tony Iommi a atacou fisicamente em pelo menos duas ocasiões, durante uma época em que ele estava tomado pelo vício em drogas.

Apesar de ter sido criticada por falar sobre a relação abusiva, Lita Ford disse que não se arrepende da exposição porque a situação a feriu tanto quanto as pessoas que leram sobre isso. "Ainda o acho um incrível guitarrista, isso não saiu de mim. Ele é meu ídolo. Ainda idolatro a sua música", afirmou.

Lita disse que não ouviu falar mais de Iommi, nem de ninguém de seu círculo pessoal, desde que o livro foi lançado, em 2015. "Tentei falar com ele sobre isso, para saber o que ele faria ou diria, e o livro já estava saindo. Ele só disse: 'bem, todos estávamos drogados'. Ele, mais do que qualquer outro. Se você ler o livro, verá o que estávamos fazendo. E eu não era inocente, estava me drogando também, mas não nas mesmas quantidades em massa", comentou.

Ford destacou que adotou uma personalidade autodestrutiva após perceber o tipo de pessoa que Tony era. "Eu queria me machucar. E não sei se isso é considerado se autoferir, mas comecei a beber, porque ele nunca me deixou beber. Apesar de ele usar grandes quantidades de drogas, ele nunca me deixava ter um drinque", disse ela, que destacou, ainda, que Iommi nunca a forçou a usar qualquer tipo de substâncias.

Questionada se ela ficou confortável com a explicação de Tony Iommi sobre o comportamento abusivo - "estávamos todos drogados" -, Lita Ford disse que, parcialmente, sim. "Acho que é algo que esteve em sua família. Não sei se os pais dele estão vivos, e acho que o pai dele contribuiu com isso. E o uso exagerado de drogas te faz ficar violento, te deixa fora de si", afirmou.

As alegações

Em "Living Like A Runaway - A Memoir", Lita Ford contou que Tony Iommi "parecia tão sedutor, autoconfiante e bonito. "Eu viria a descobrir depois que as aparências podem enganar", disse.

Inicialmente, ela diz, no livro, que o uso de drogas por parte de Tony Iommi - especialmente cocaína - comprometeu sua performance sexual. "Ele estava impotente devido ao constante uso de drogas, e ele ficava muito constrangido. Eu me senti mal por ele e não sabia exatamente o que fazer. Eventualmente, eu consegui fazê-lo gozar", contou, na obra.

A relação progrediu e Tony Iommi convidou Lita Ford para conhecer a mãe dele, na Inglaterra. O casal estava no avião quando, segundo Lita, Tony se virou, do nada, e a socou no olho. Ela se viu presa em um voo de 10 horas de duração com alguém que havia se tornado um agressor. Ford acabou passando a viagem sozinha, na área reservada às aeromoças.

Ainda conforme publicado no livro, a mãe de Tony Iommi percebeu o olho roxo de Lita Ford e contou que a situação era comum na família, pois o pai do guitarrista fazia a mesma coisa. A relação continuou, assim como as agressões - a pior, segundo Lita, ocorreu após de ele ter dado o anel de noivado a ela.

"Depois de cheirar um caminhão de farinha, ele ficou irritado e me estrangulou até que eu desmaiasse", ela escreve. "Quando acordei, eu o vi segurando uma cadeira por cima da minha cabeça. Era uma cadeira grande e pesada de couro com rebites ao redor dos braços, e ele estava prestes a arrebentá-la na minha cara. Eu me rolei pro lado, e sai correndo rápido o suficiente para ele não me acertar e a cadeira se arrebentou no chão."

Lita acabou fugindo até a casa de seu ex-namorado, Nikki Sixx (Mötley Crüe). A partir de então, o relacionamento caminhou para o fim.
Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.