quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Os 25 anos de 'Native Tongue', o melhor disco do Poison
quinta-feira, fevereiro 08, 2018


Poison - "Native Tongue"
Lançado em 8 de fevereiro de 1993

Em 8 de fevereiro de 1993, o Poison lançou "Native Tongue", seu melhor disco de estúdio. Não há dúvidas. E há um nome responsável por tamanho êxito: Richie Kotzen, o guitarrista multi-facetado que fez do Poison, praticamente, sua banda solo de luxo.

Antes da chegada de Richie Kotzen, o Poison, internamente, ia mal à medida em que o sucesso aumentava. O antecessor de Kotzen, C.C. DeVille, estava com problemas relacionados às drogas - o clássico clichê do rock and roll - e acabou expulso da banda após uma performance caótica no MTV Video Music Awards (VMA) de 1991, quando DeVille, atrapalhado, "puxou" a música errada e chegou a desconectar sua própria guitarra.



A gafe ao vivo fez com que C.C. DeVille e o vocalista Bret Michaels saíssem na porrada após o show, já nos bastidores. A vaga aberta acabou por ficar com Richie Kotzen, que, naquela época, lançava-se como um músico virtuoso, ancorado no shredding metal.

O Poison, que nunca foi uma banda de grande técnica musical, viu-se diante de um guitarrista muito mais talentoso que seu antecessor. E a medida adotada pela banda naquela ocasião foi incrivelmente sensata: dar completa liberdade para que Richie Kotzen trabalhasse no novo disco.



Como o próprio Kotzen já disse, "Native Tongue" poderia ser, facilmente, seu disco solo. Bret Michaels colaborou com parte das letras e só. O restante foi assumido por Kotzen: composição melódica e (parcialmente) lírica, guitarra, piano, mandolin, partes do baixo e até vocais de apoio que, eventualmente, se sobressaíam à voz de Michaels. A lista de músicos externos foi a maior até então e incluiu até Billy Powell (Lynyrd Skynyrd) no piano de duas músicas.

Ao deixar a parte criativa no colo de Kotzen, "Native Tongue" tornou-se um disco de musicalidade apuradíssima. O fio musical simplório e festeiro do Poison deu lugar a um hard rock com influências do blues, soul e R&B. Dentro do então falido cenário hair metal, ninguém conseguiu atingir o mesmo patamar de qualidade que o Poison nesse disco.



E só foi possível obter relevância musical em "Native Tongue", claro, graças às referências de Richie Kotzen, ainda que Bret Michaels também tenha trazido alguma força nesse processo. O álbum tem uma sonoridade muito melódica, com típicas construções musicais da década de 1970, ainda que em uma roupagem relativamente ao estilo Poison.

As power ballads "Stand", "Until You Suffer Some (Fire and Ice)" e "Theatre Of The Soul", que caminham para o soul e a música negra em geral, são as que melhor refletem a versatilidade de "Native Tongue". Os sons mais agitados, como a pesada "The Scream", a intensa "Stay Alive", a melódica "7 Days Over You" e a divertida "Bastard Son of a Thousand Blues" também mostram que o som havia mudado - e para melhor.



Apesar de toda a qualidade envolvida, "Native Tongue" teve uma resposta comercial apenas mediana, se comparado aos antecessores. O momento não era prolífico para o hard rock e, por isso, o álbum foi o primeiro a não chegar no top 3 dos Estados Unidos - atingiu a posição de número 16, além de ter conquistado disco de ouro. Nenhum single emplacou de fato. Por outro lado, a repercussão ainda foi melhor que a de muitos outros trabalhos do mesmo gênero naquela época.

A parceria entre Poison e Richie Kotzen acabou mal, com a expulsão do guitarrista, no meio da turnê que promovia "Native Tongue", após um suposto romance entre ele e a então noiva de Rikki Rockett. O músico alega que a história foi "sensacionalizada".

Apesar das circunstâncias bizarras pré e pós-disco, "Native Tongue" é, reafirmo, o melhor álbum do Poison. E mesmo com um quarto de século desde seu lançamento, ainda soa sincero e relevante.



Bret Michaels (vocal, guitarra, violão, gaita)
Richie Kotzen (guitarra, piano, mandolin, dobro, backing vocals)
Bobby Dall (baixo, backing vocals)
Rikki Rockett (bateria, percussão)

Músicos adicionais:
Jai Winding (piano nas faixas 3 e 11)
Billy Powell (piano nas faixas 8 e 15)
Mike Finnegan (órgão na faixa 5)
Tower of Power (sopros na faixa 8)
Timothy B. Schmit e Tommy Funderburk (backing vocals)
First AME Church Choir (corais na faixa 3)
Shelia E. (percussão nas faixas 1 e 2)

1. Native Tongue
2. The Scream
3. Stand
4. Stay Alive
5. Until You Suffer Some (Fire and Ice)
6. Body Talk
7. Bring It Home
8. 7 Days Over You
9. Richie's Acoustic Thang
10. Ain't That The Truth
11. Theatre of The Soul
12. Strike Up The Band
13. Ride Child Ride
14. Blind Faith
15. Bastard Son Of A Thousand Blues

Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.