sexta-feira, 23 de março de 2018

“Dancin’ With Danger” é um bom retorno dos hard rockers do Pleasure Maker
sexta-feira, março 23, 2018


Resenha: Pleasure Maker – “Dancin’ With Danger” (2018)

O Pleasure Maker, do Rio de Janeiro, é um dos poucos nomes do glam metal brasileiro que conseguiu reconhecimento, ainda que relativamente tímido, no exterior. A banda formada por C. Marshall (vocal), Alex Meister (guitarra), Mark Sant’Anna (baixo) e Adriano Morais (bateria) obteve publicações favoráveis em veículos como “Burrn!” (Japão) e “Melodic.net” (Suécia) logo com seu disco de estreia, “Love On The Rocks” (2004). A consagração veio, de vez, com “Twisted Desire” (2008), um álbum musicalmente maduro.

Dez anos depois de “Twisted Desire”, o Pleasure Maker voltou a divulgar material inédito com seu terceiro álbum, “Dancin’ With Danger”, lançado pela Animal Records. E, dado o histórico, escrever sobre o novo disco do quarteto carioca não deve ser uma experiência isolada: ele está imerso em uma discografia respeitável.

Com isso em mente, dá para dizer que, em comparação aos registros anteriores, “Dancin’ With Danger” é um pouco menos ousado e trilha caminhos mais previsíveis para uma banda tradicionalmente glam metal. Enquanto os anteriores tinham instrumentais mais surpreendentes e melodias que abraçavam melhor a voz de C. Marshall, o novo álbum do Pleasure Maker é, no geral, mais “guitarresco”. Alex Meister não exagera nos solos, mas sua guitarra está na linha de frente, o que, por vezes, deixa o vocal como coadjuvante – algo perigoso para uma banda que sempre se destacou por ser muito melódica.



Por outro lado, a magia ainda se faz presente no repertório apresentado por Alex Meister e seus companheiros. O hard rock apresentado pelo grupo é de muito bom gosto, seja pelas referências claras a bandas como Ratt, Danger Danger e Dokken, pela performance técnica de cada integrante ou pelo forte apelo melódico que muitas faixas possuem.

“Dancin’ With Danger” cumpre à risca todos os elementos de uma faixa de abertura de um disco de glam metal, da pegada “upbeat” até o típico momento, no meio da música, onde todos batem palmas junto da bateria nos shows. “Chains Of Love”, na sequência, preserva a mesma pegada e quase a mesma fórmula. A semi-balada “It Ain’t ‘Bout Love” muda um pouco o panorama, com doses reforçadas de melodia, e agrada por sua veia Danger Danger.

“On The Other Side Of Midnight”, tocada quase em slow-motion, poderia ser melhor, mas “Rock The Night Away”, uma das melhores do disco, compensa nesse ponto: é aceleradíssima, se aproxima com o heavy metal e tem um dos melhores solos do álbum. O glam metal é retomado com mais fôlego e peso em “Flesh And Blood”, faixa que faz alusão ao Ratt dos tempos de “Detonator” (1990). As referências seguem evidentes na boa “Lonely Is The Night”, uma faixa que soa muito como Lynch Mob.



Outra semi-balada, “Out There” é um dos pontos fracos do disco, porém, novamente um momento mais fraco é compensado por outro sensacional: “Never Look Back”, bastante melódica, é um dos destaques por aqui. Após tantas semi-baladas, “A Matter Of Feelings” é uma power ballad por completo – e sua audição é bem gostosa. A enérgica “Runnin’ Out Of Time” fecha a edição convencional do disco como uma das melhores do álbum, justamente, por sua construção um pouco diferente. “She’s Gone Too Far”, bônus das versões japonesa e europeia, é empolgante e poderia estar na tracklist comum.

No geral, “Dancin’ With Danger” é capaz de agradar qualquer bom fã de glam metal em uma condição isolada, sem acesso aos discos anteriores do Pleasure Maker. Entretanto, o material apresentado pela banda no passado, especialmente em “Twisted Desire”, ainda soa mais consistente. Ou seja: “Dancin’ With Danger” é bom, mas deixa algumas lacunas.

Ainda assim, o saldo é positivo para uma banda que está de volta após tanto tempo em hiato e que se faz necessária em um país onde há poucos representantes do hard rock oitentista. Cabe destacar, ainda, que o retorno será celebrado, de vez, em show de lançamento no Calabouço Bar (Rua Felipe Camarão, 130, Rio de Janeiro), e que, em entrevista ao Metal na Lata, Alex Meister prometeu um novo disco para 2020. O Pleasure Maker está, realmente, de volta.

Nota 7,5



C. Marshall (vocal)
Alex Meister (guitarra, backing vocals)
Mark Sant’Anna (baixo, backing vocals)
Adriano Morais (bateria, backing vocals)

Músicos adicionais:
Sidney Sohn (teclados)
Gus Monsanto (backing vocals)

1. Dancin’ With Danger
2. Chains Of Love
3. It Ain’t ‘Bout Love
4. On The Other Side Of Midnight
5. Rock The Night Away
6. Flesh And Blood
7. Lonely Is The Night
8. Out There
9. Never Look Back
10. A Matter Of Feelings
11. Runnin’ Out Of Time
12. She’s Gone To Far (bônus das versões europeia e japonesa)

Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.