Metallica: Lars Ulrich é, sim, um ótimo baterista

Mike Portnoy deu firulas para falar sobre. Tommy Lee fez piada. Outros músicos, dentro ou fora do metal, já comentaram. Mas… e aí: Lars Ulrich é ou não é um bom baterista?
Cada vez que vejo essa comparação sendo feita, enxergo relativizações diferentes. Há quem fale isso colocando Lars de frente a outros bateristas do estilo, há quem se ancore no passado para dizer que ele “não é mais o mesmo”, há quem considere elementos da personalidade do músico (que não é dos mais carismáticos). Nem sempre, porém, a análise é feita por critérios meramente musicais.
Para mim, Lars Ulrich é, sim, um bom baterista. Não foi: é. E não apenas bom: é um dos melhores bateristas do metal.
Há dois tipos de materiais para se chegar a essa conclusão. O primeiro é “Death Magnetic”, que, apesar de já ser um disco antigo – já se foram sete anos desde seu lançamento –, é o trabalho de inéditas mais recente do Metallica. O segundo é o palco. Nos shows, Ulrich consegue acompanhar e, com fôlego, como no Rock In Rio deste ano, até acelera o andamento das músicas, mesmo não tendo mais a riqueza técnica de 30 anos atrás – algo natural, já que estamos falando de um cinquentão.
Vamos, porém, olhar para o trabalho de Lars Ulrich nos primórdios. Os primeiros álbuns do Metallica são geniais porque unem uma série de influências que, até então, não haviam sido aglutinadas daquela maneira. Um punk técnico? Um NWOBHM melhor trabalhado? Difícil definir. Mas Ulrich tem “culpa” nisso.
Só que, até “Master Of Puppets”, Lars Ulrich era um bom baterista e só. Suas maiores virtudes se mostraram, de verdade, em “…And Justice For All” e no autointitulado (“Black Album”). Digo com firmeza: não há quem faça arranjos de percussão, dentro do metal, como Ulrich. Falo isso porque a maior parte dos bateristas do gênero querem ser acompanhados pelos demais instrumentistas. Lars faz o contrário: ele acompanha o andamento, especialmente os riffs de guitarra. Soa casado, versátil, diferente. Curiosamente, um de seus críticos tem esse talento: Tommy Lee, no Mötley Crüe, faz algo semelhante. Não por acaso, “Black Album” traz muito de “Dr. Feelgood”, da banda de hard rock – inclusive o mesmo produtor, Bob Rock.
Para ser um dos melhores bateristas do metal, Lars Ulrich não precisa desfilar seu pedal duplo. Apenas precisa saber onde e como inseri-lo. “One”, por exemplo, tem uma das passagens duplas mais geniais do gênero. “For Whom The Bell Tolls” causa arrepios em seus pequenos andamentos com bumbo duplo. Entre as mais recentes, “My Apocalypse” é o melhor exemplo.
“Load” e “Reload” também mostram isso, porém, em menor escala, visto que são discos menos pesados e focados em outros elementos. “St. Anger” volta a escancarar essa virtude. A péssima escolha de afinação e produção da bateria e a sonoridade mais voltada para o nu metal ofuscam a boa pegada que Lars Ulrich deu a várias músicas. “Death Magnetic” chama a atenção pela crueza. Mas chega a ser incrível ver como Lars acompanha faixas como “That Was Just Your Life” e “All Nightmare Long”.
Não se trata de exuberância técnica. É uma questão de feeling. Com o passar dos anos, tornou-se lugar comum criticar a performance de Lars Ulrich, assim como é batido criticar músicos como Slash e Dave Murray. No entanto, assim como os guitarristas citados, Ulrich tem uma identidade. No fim das contas, não sou tão fã de Metallica. Mas dá para imaginar todas essas músicas da banda com outro batera no lugar?

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Igor Miranda
Igor Miranda
Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital. Escreve sobre música desde 2007. Além de editar este site, é colaborador da Rolling Stone Brasil. Trabalhou para veículos como Whiplash.Net, portal Cifras, revista Guitarload, jornal Correio de Uberlândia, entre outros. Instagram, Twitter e Facebook: @igormirandasite.

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