segunda-feira, 4 de junho de 2018

Os 35 anos de 'Another Perfect Day', o disco 'ganchudo' do Motörhead
segunda-feira, junho 04, 2018


Motörhead - "Another Perfect Day"
Lançado em 4 de junho de 1983

O Motörhead lançou discos imponentes entre o fim da década de 1970 e o início da década de 1980. E a grande maioria do êxito desse trabalho se deve à química da saudosa formação clássica, já falecida em sua integridade: o vocalista, baixista e divindade Ian "Lemmy" Kilmister, o guitarrista "Fast" Eddie Clarke e o baterista Phil "Philthy Animal" Taylor.

Contudo, na metade de 1982, Eddie Clarke decidiu abandonar o barco. Dispostos a apostarem em uma sonoridade diferente, Lemmy e Animal contrataram Brian "Robbo" Robertson, que fez parte da formação clássica do Thin Lizzy e trabalhava com o Wild Horses e em um projeto solo naquele momento. Robertson topou o convite e o trio, com sangue novo, entrou em estúdio para gravar o trabalho mais curioso e único de sua discografia.

"Another Perfect Day", lançado em junho de 1983, se difere dos demais álbuns do Motörhead - inclusive posteriores - por sua abordagem mais enfática nos ganchos melódicos. Com Clarke, o som tendia para o heavy metal e para o punk. Já com Robertson, a coisa já se puxava para o hard rock de bases setentistas.



A principal mudança, em termos mais técnicos, foi a guitarra ocupando a linha de frente, em vez do baixo de Lemmy. Além disso, há composições de batidas mais lentas e arranjos mais elaborados - graças, especialmente, a Brian Robertson.

O produto final é de muita qualidade. "Another Perfect Day" é coerente e mescla a essência quase punk do Motörhead a uma abordagem madura. A produção, assinada por Tony Platt, fez com que os elementos se casassem e deu apenas a polidez necessária para que o conceito se estabelecesse.

Músicas como "Back At The Funny Farm" e "Shine", que abrem o disco, ainda trazem o som pesado e rápido do Motörhead, mas a cadenciada "Dancing On Your Grave" já faz o cenário mudar - para melhor, em minha opinião. "Rock It" mescla um pouco das duas visões de banda, enquanto "One Track Mind", mais lenta, é quase uma balada.



A faixa título é uma verdadeira pedrada hard rocker, com aparições incríveis de Brian Robertson, enquanto "Marching Off To War" soa mais próxima do que o Motörhead faria nos álbuns seguintes. "I Got Mine" é o principal single do disco e se justifica: é muito boa. "Tales Of Glory" e "Die You Bastard" encerram o álbum com o pé no acelerador, como Lemmy e Animal sempre gostaram, mas com as mudanças melódicas que Robertson sempre admirou.

A recepção comercial de "Another Perfect Day" foi boa. Nas paradas britânicas, atingiu a 20ª posição, e nas norte-americanas, a 153ª - levando-se em consideração que o grupo nunca foi um sucesso nos Estados Unidos. Os singles de "I Got Mine" e "Shine" chegaram às colocações de número 46 e 59, respectivamente, no Reino Unido. As turnês atraíam público, passando pela Europa, América do Norte e Japão.



Brian, no entanto, causava atrito: além de utilizar um visual diferente e curioso (shorts, sapatos de balé e uma faixa na cabeça), o guitarrista não concordava em tocar músicas de outras épocas que tivessem participação de "Fast" Eddie Clarke, o que restringia bastante o repertório do Motörhead. Como o contrato de Robertson era para apenas um disco, sua saída foi amigável e ocorreu em novembro de 1983.

O talento de Brian Robertson poderia ter durado por mais alguns discos. Entretanto, com ele, o Motörhead poderia ter se tornado uma instituição diferente demais. Talvez, ter apenas o ótimo "Another Perfect Day" como registro de sua passagem pela banda tenha sido, para o legado da banda, a melhor opção.



Ian "Lemmy" Kilmister (vocal, baixo)
Brian "Robbo" Robertson (guitarra, piano na faixa 4 e Fender piano na faixa 2)
Phil "Philthy Animal" Taylor (bateria)

01. Back At The Funny Farm
02. Shine
03. Dancing On Your Grave
04. Rock It
05. One Track Mind
06. Another Perfect Day
07. Marching Off To War
08. I Got Mine
09. Tales Of Glory
10. Die You Bastard

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Igor Miranda Jornalista natural de Uberlândia (MG). Apaixonado por rock há mais de uma década, começou a escrever sobre música desde 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Co-fundou e integrou o site Van do Halen até o ano de 2013 - apesar de ainda manter uma coluna, chamada "Cabeçote" e publicada sempre nas noites de segundas-feiras. Atualmente é redator-chefe da área editorial do site Cifras, afiliado ao R7. Trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia entre 2013 e 2016.