Os 20 anos de 'Psycho Circus', o disco da reunião (fake) do Kiss


Kiss - 'Psycho Circus'
Lançado em 22 de setembro de 1998

'Psycho Circus' é uma 'farsa'. Nem por isso, deve ser ignorado.

O 18° disco de estúdio do Kiss (excluindo os álbuns solo lançados sob o nome do grupo) marcou, de vez, a reunião da formação original da banda. Os "chefões" Paul Stanley e Gene Simmons voltaram a tocar com o guitarrista Ace Frehley e o baterista Peter Criss ainda em 1996, mas resolveram selar o retorno com um álbum de músicas inéditas.

- Como ocorreu a reunião da formação original do Kiss

O grande problema é que nem tudo andava bem nos bastidores do Kiss. Entre debates por dinheiro e situações envolvendo os velhos vícios, Ace Frehley e Peter Criss estavam "batendo cabeça" com Paul Stanley e Gene Simmons.

Em meio aos conflitos, Frehley e Criss acabaram ficando de fora de boa parte das músicas do disco, tendo sido substituídos por Tommy Thayer e Kevin Valentine, respectivamente. Só que os músicos originais foram creditados e fingiu-se, por algum tempo, que eram eles mesmos que tocavam no álbum.



Tommy Thayer, curiosamente, foi o escolhido para substituir Ace Frehley após sua saída em definitivo, já na década seguinte. Anteriormente, Thayer havia tocou com o Black 'N Blue, banda gerenciada por Gene Simmons. Após o fim do grupo, passou a trabalhar nos bastidores do Kiss. Kevin Valentine, por sua vez, passou por várias bandas como Donnie Iris And The Cruisers, Cinderella, Shadow King, The Lou Gramm Band e por aí vai, além de ter tocado na música 'Take It Off', do próprio Kiss.

A decisão de manter Ace Frehley e Peter Criss fora de 'Psycho Circus' partiu do produtor Bruce Fairbairn, conforme relata o engenheiro de som Mike Poltnikoff no livro 'Kiss Por Trás das Máscaras'. "Embora Gene e Paul quisessem se apresentar como a banda original no disco, quando Bruce ouviu Ace e Peter tocarem na pré-produção, pensou em fazer o tipo de disco que ele queria fazer e Ace e Peter não se encaixavam como instrumentistas", diz.

- Leia: Conheça as músicas perdidas do Kiss para 'Psycho Circus'

A opção é polêmica, mas, talvez, tenha critérios técnicos válidos por trás. Era evidente que Frehley e Criss músicos não estavam em seus melhores momentos nos palcos. Não dá para imaginar muitas contribuições de peso de ambos caso fossem mantidos nas sessões.



Apesar das ausências, 'Psycho Circus' traz (ou tenta trazer) o ouvinte aos tempos áureos de Kiss. Todos os elementos de um bom disco da banda se fazem presentes. Ou seja, não há do que se reclamar por aqui: seja pela icônica faixa título, pelos momentos roqueiros de Paul Stanley em 'I Pledge Allegiance To The State Of Rock And Roll' e 'Raise Your Glasses', pela sombria 'Within' (inspirada em Doutor Estranho, personagem da Marvel que era bem lado B até o filme de 2016) e por 'Into The Void', com a assinatura de Ace Frehley.

Por outro lado, a essência 'fake' de 'Psycho Circus' é notável nos momentos mais forçados do disco. 'You Wanted The Best', por exemplo, tenta apresentar os vocais dos quatro integrantes, mas é uma faixa forçada. 'I Finally Found My Way', com os vocais de Peter Criss, é como uma "nova 'Beth'", só que brega e deslocada. 'We Are One' também soa piegas, embora tenha mais virtudes que as anteriores.



Quase ninguém desconfiou que o disco de reunião do Kiss era, na verdade, Paul Stanley e Gene Simmons com dois músicos de estúdio. Por isso, 'Psycho Circus' foi um grande sucesso comercial. Vendeu 500 mil cópias nos Estados Unidos em um mês, sendo mais de 100 mil delas apenas na primeira semana de lançamento. A turnê lotou estádios por todo o mundo - incluindo no Brasil - e foi a primeira tour da história da música a ter telões em 3D. O marketing foi tão grande que até um game inspirado no álbum, 'Psycho Circus: The Nightmare Child', foi disponibilizado à época.

O sucesso não maquiou os problemas internos do Kiss, que anunciou, logo após o fim da turnê de 'Psycho Circus', que iria se aposentar. Também 'fake': a banda não encerrou suas atividades mesmo após uma longa turnê de despedida e seguiu atividades com o já citado Thayer e o baterista Eric Singer, que já havia integrado a banda no início dos anos 1990. Stanley e Simmons justificam que só decretaram o "fim" porque não queriam mais tocar com Frehley e Criss.



A falta de honestidade em 'Psycho Circus', por vezes, incomoda. Por isso, não é a melhor porta de entrada para a discografia do Kiss. Ainda assim, é um bom disco. Vale a pena dar uma chance e "se deixar ser enganado".


Paul Stanley – vocal (em 1, 3, 6, 7 e 9), guitarra base, violão, baixo em 5, 7 e 8, backing vocals
Gene Simmons – vocal (em 2, 5, 6 e 10), baixo, backing vocals
Ace Frehley – vocal e guitarra (em 4, 6 e 11), backing vocals
Peter Criss – vocal (em 6 e 8), bateria (em 4), backing vocals

Músicos adicionais:
Kevin Valentine – bateria (em todas as faixas, exceto em 4)
Tommy Thayer – guitarra (em todas as faixas, exceto em 4 e 6)
Bruce Kulick – guitarra em 2 (intro)
Shelley Berg – piano em 8 e 10
Bob Ezrin – piano Rhodes em 8

01. Psycho Circus
02. Within
03. I Pledge Allegiance To The State Of Rock And Roll
04. Into The Void
05. We Are One
06. You Wanted The Best
07. Raise Your Glasses
08. I Finally Found My Way
09. Dreamin'
10. Journey Of 1,000 Years

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Os 20 anos de 'Psycho Circus', o disco da reunião (fake) do Kiss Os 20 anos de 'Psycho Circus', o disco da reunião (fake) do Kiss Reviewed by Igor Miranda on sábado, setembro 22, 2018 Rating: 5

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