25 bons álbuns de rock e metal lançados no 1° semestre de 2019


Na lista a seguir, apresento 25 álbuns de rock e metal lançados no primeiro semestre de 2019 que se destacaram, em minha avaliação.

O levantamento, de tom pessoal, serve mais para indicar bons trabalhos que possam ter passado batido do que estabelecer um ranking, estipulando quais discos seriam “melhores”. Não à toa, as indicações estão em ordem alfabética e não caracterizam nenhuma ordem, seja de “melhor para pior” ou vice-versa.

Além das indicações, preparei uma playlist no Spotify com destaques desse primeiro semestre. Além de faixas dos 25 álbuns citados, há outras boas músicas que foram lançadas, como single ou dentro de algum disco, na playlist.

Confira a playlist a seguir:



>>> Ou clique aqui para acessá-la.

Veja, abaixo, a lista com 25 bons álbuns de rock e metal lançados neste 1° semestre de 2019:

Baroness – “Gold & Grey”: Está cada vez mais difícil classificar o Baroness dentro de algum estilo musical. E isso é bom.

“Gold & Grey” dá sequência ao crescimento que a banda já havia apresentado no antecessor, “Purple” (2015). Ao mesmo tempo, distancia-se cada vez mais do que podemos chamar de metal. O som do grupo ganhou um caráter ainda mais progressivo e até psicodélico, talvez, graças ao produtor Dave Fridmann. Também tem pitadas de som ambiente e texturas sonoras reforçando a inventividade do quarteto, que está cada vez mais ambicioso.



Chris Robinson Brotherhood – “Servants of the Sun”: O sexto álbum do projeto liderado pelo vocalista Chris Robinson (ex-Black Crowes) não é muito diferente dos anteriores, divulgados ao longo desta década. Ainda bem.

A “fórmula” (entre aspas, porque Chris e seus músicos não seguem muitas regras por aqui) está dando certo, já que esse rock de pitada psicodélica e construído na base das jams é bem interessante.



Danny Worsnop – “Shades of Blue”: Embora esteja em uma lista de rock e metal, o segundo disco solo do vocalista do Asking Alexandria foge bastante desse meio. O vocalista do Asking Alexandria, uma das bandas mais notáveis do metalcore, sempre se mostrou um sujeito versátil. Recentemente, por exemplo, ele lançou um projeto de hard rock chamado We Are Harlot.

Em sua carreira solo, ele vai além. O primeiro álbum, “The Long Road Home” (2017), explora um pouco o country. Já neste novo, “Shades of Blue”, os flertes são fortes com o R&B, a soul music e o blues. E tudo isso com bastante qualidade e foco em vocais muito bem construídos.



Dirty Honey – EP “Dirty Honey”: Sabe quando uma banda tem influência do rock do passado, mas consegue soar única ao mesmo tempo? Sinto que é o caso desse quarteto de Los Angeles, que alia pitadas do blues, do stoner e até do hard rock oitentista ao seu rock de tom clássico e, por vezes, até empoeirado.

O grupo só tem esse EP na bagagem, mas, pelo que se pode ouvir, tem muito potencial para ser explorado.



Gary Clark Jr – “This Land”: O quinto álbum de estúdio desse guitarrista de blues rock americano - e terceiro em uma grande gravadora - é, de longe, o mais diverso e versátil de seu catálogo.

A pegada bluesy de outrora se faz presente, mas divide espaços com experimentos que vão do reggae ao punk (!), além de transitar por gêneros com os quais ele já havia flertado antes, como o R&B e a soul music. Soa como o trabalho definitivo de Gary Clark Jr.



Hollowstar – “Hollowstar”: Em seu álbum de estreia, esse quarteto britânico apresenta uma sonoridade híbrida, que mescla heavy metal, hard rock e influências alternativas e contemporâneas. Apesar da aposta evidente em ganchos melódicos e refrães bem construídos, o grupo busca colocar um peso típico do metal alternativo ao introduzir afinações de instrumentos mais graves e riffs e passagens mais pesadas.

O disco demora um pouco para evoluir, tanto que a primeira faixa não convence. Porém, a partir de “Let You Down” – lançada como single anteriormente –, as credenciais do quarteto se apresentam de forma mais fluida.



Hollywood Vampires – “Rise”: Sim, o Hollywood Vampires é um supergrupo e se consagrou, por si só, apenas por ter o vocalista Alice Cooper, o guitarrista Joe Perry e o ator Johnny Depp também assumindo o instrumento. Mesmo assim, a banda preferiu não enxergar o projeto como “jogo ganho” e buscou apresentar identidade própria em seu segundo álbum de estúdio, que também é o primeiro dominado por músicas inéditas.

Embora soe familiar aos fãs dos nomes envolvidos, o disco não tem momentos tão teatrais que possam remeter ao trabalho de Alice Cooper, nem canções mais radiofônicas e boladas para grudar na mente como os registros do Aerosmith de Joe Perry. As composições são mais obscuras e old-school. Só faltou uma faixa realmente memorável, para grudar na cabeça, mas é um bom trabalho.



Inglorious – “Ride To Nowhere”: Revelação do hard rock britânico, essa banda capitaneada pelo vocalista Nathan James (Uli Jon Roth, TSO) fez seu melhor trabalho em “Ride To Nowhere”.

O quinteto saiu da sombra de suas influências e passou a explorar uma sonoridade mais própria e até pesada, ainda que sem, necessariamente, flertar com o metal. Aqui, os caras soam como um grupo – o que é uma pena, pois três integrantes deixaram a formação pouco antes do lançamento.



Joanne Shaw Taylor – “Reckless Heart”: Dona de uma carreira consistente, essa guitarrista e vocalista britânica lançou seu sétimo álbum – uma marca de produtividade impressionante para alguém com pouco mais de 30 anos.

Mais uma vez, Joanne não decepciona: o disco coloca o blues rock na linha de frente, com uma pitada de soul music em algumas faixas. Não há música ruim aqui.



Joyous Wolf – EP “Place In Time”: Seria o Joyuos Wolf o próximo Greta Van Fleet? A afirmação é arriscada, mas o primeiro EP da banda é convincente. A sonoridade é construída com b ase no hard rock clássico, mas tem uma ponta de southern rock e certo frescor contemporâneo.

Apesar da classificação em estilos tão definidos, a pegada é bastante diversa, especialmente pelos vocais bem definidos e identitários de Nick Reese.



Kenny Wayne Shepherd – “The Traveler”: Dono de uma regularidade tremenda, o guitarrista americano lançou mais um bom disco.

“The Traveler” consolida o trabalho que já vem sendo feito nos últimos álbuns e conta com alguns momentos inspirados, como a empolgada “Woman Like You”, a balada “Gravity”, a bluesy “Better With Time” e a arrasadora “Turn To Stone”, de solo inspirado. Ainda que existam títulos mais interessantes em sua trajetória, esse disco convence.



Last In Line – “II”: Pode ser pelas minhas expectativas altas ou, de fato, pelo que foi apresentado, mas o segundo álbum dessa boa banda de heavy metal, inicialmente formada como homenagem à line-up clássica do Dio, não soa tão inspirado como o primeiro, “Heavy Crown” (2016).

O problema é, basicamente, de repertório: as composições da estreia eram mais fortes. O restante está muito bem encaixado, como esperado. Apesar da comparação desfavorável, ainda é um bom disco, que destaca o entrosamento entre o guitarrista Vivian Campbell e o baterista Vinny Appice, além dos ótimos vocais de Andrew Freeman.



Mark Morton – “Anesthetic”: Competente guitarrista no Lamb of God, Mark Morton caprichou de verdade em seu primeiro álbum solo, que apresenta um heavy metal moderno, versátil e agressivo.

A extensa lista de participações especiais do disco conta com nomes do porte de Myles Kennedy (Alter Bridge, Slash), Alissa White-Gluz (Arch Enemy), Chuck Billy (Testament), Mark Lanegan (Screaming Trees), Jacoby Shaddix (Papa Roach) e seu colega de Lamb of God, Randy Blythe, além do já falecido vocalista Chester Bennington (Linkin Park). Todos eles deram suas devidas contribuições ao trabalho, mas ainda soa unitário, mesmo com artistas tão diferentes envolvidos.



Myrath – “Shehili”: Uma banda que se descreve como a primeira da Tunísia a conseguir um contrato de gravadora precisa ser diferenciada. E o Myrath, que evolui a cada álbum lançado, cumpre bem o que anuncia. “Shehili”, quinto da carreira, deixou a sonoridade mais direta do que “Legacy”, ligeiramente influenciado pelo metal progressivo.

No novo trabalho, a banda focou no heavy metal tradicional, com uma pitada de power e a sempre frequente influência da música folclórica do Oriente Médio. Vale a pena conferir.



Pristine – “Road Back To Ruin”: Já faz algum tempo que essa boa banda de hard/blues rock está na área: são mais de 10 anos de carreira e cinco álbuns lançados, contando com este.

No novo trabalho, o diferencial são as músicas lançadas como single ou com potencial para tal, como as pegajosas “Sinnerman” e “Landslide”, em contraste com as faixas mais blueseiras, como “Bluebird” e “Aurora Skies”, e as experimentais, como “Blind Spot” e “Cause And Effect”. Tudo isso é regido pela incrível vocalista Heidi Solheim, que demonstra muita segurança em sua performance.



Rival Sons – “Feral Roots”: Sério concorrente ao posto de melhor do ano de 2019, o sexto álbum do Rival Sons traz seus integrantes com ambição de ir além.

Os tropeços de "Hollow Bones" (2016) foram corrigidos e o hard rock poderoso, de fortes doses setentistas, dos trabalhos anteriores ganharam fortes pitadas de soul music e gospel. Envolvente do começo ao fim.



Satan Takes A Holiday – “A New Sensation”: O tom despojado desse trio sueco já está claro em seu próprio nome - algo como “Satan tira férias” – e, sim, as músicas refletem essa intenção de nem sempre se levar a sério. Ainda assim, os caras são bem competentes.

Em seu quinto álbum, o grupo segue com a proposta de fazer um rock relativamente contemporâneo, por vezes alternativo, só que sem abrir do peso. As melodias são mais densas que o usual, com direito até a algumas passagens um tanto "grosseiras". É como se o Royal Blood ficasse bêbado e bem-humorado.



Tanith – “In Another Time”: Fundado como projeto paralelo de covers do vocalista e guitarrista Russ Tippins (Satan), o Tanith ganhou força com o passar dos últimos anos e lançou seu primeiro disco de estúdio. O resultado surpreende pela sonoridade old school, bem retrô e empoeirada, que remete a boas produções da década de 1970.

A aproximação com o heavy metal daqueles tempos é forte. Apesar das referências claras, não soa como uma mera repetição de clichês do passado, com riffs super-Sabbath ou transposição de características do Led Zeppelin, por exemplo. Vai além e, por isso, promete agradar até a ouvintes mais casuais.



Tedeschi Trucks Band – “Signs”: O projeto comandado pelo casal Susan Tedeschi (vocalista e guitarrista) e Derek Trucks (guitarrista, Allman Brothers Band) acertou de novo.

A aposta não é tão diferente dos álbuns anteriores: southern rock com fortes doses de blues, vindas de Trucks, e soul/R&B, cortesia de Tedeschi. A banda de apoio é de muita classe. E as participações de Warren Haynes, Oliver Wood, Marc Quiñones e Doyle Bramhall II agregam ainda mais ao registro.



The Damned Things – “High Crimes”: A formação desse excêntrico supergrupo é, no mínimo, muito competente:  Keith Buckley (Every Time I Die) nos vocais, Scott Ian (Anthrax) e Joe Trohman (Fall Out Boy) nas guitarras, Dan Andriano (Alkaline Trio) no baixo e Andy Hurley (Fall Out Boy) na bateria.

Como a ideia do grupo é apenas se divertir, enquanto projeto paralelo, “High Crimes” acaba soando bem solto e descompromissado. É um heavy rock bem contemporâneo e upbeat, sem tempo para baladinhas ou viagens artísticas. Não vai mudar a sua vida, mas certamente vai te fazer bater cabeça.



The End Machine – “The End Machine”: O instrumental clássico do Dokken – George Lynch, Mick Brown e Jeff Pilson – se juntou ao vocalista Robert Mason (Warrant, ex-Lynch Mob) para um projeto que, sim, lembra um pouco de Lynch Mob, mas também acumula identidade própria e muito peso.

Há um entrosamento orgânico entre Mason, que é um excelente vocalista, e o trio consagrado no Dokken, talentoso em praticar a mistura perfeita entre hard rock e heavy metal. Que esses caras, especialmente Lynch, sigam workaholics por muito tempo.



The Heavy – “Sons”: Fazia tempo que eu não me deparava com uma banda tão versátil e interessante como o The Heavy. Embora seja difícil de se categorizar, dá para notar que os caras transitam pelo funk, rock, R&B, soul e muito mais.

Em seu quinto álbum, a proposta é diversidade: cada faixa soa diferente e explora uma vertente separada. Ainda assim, há uma curiosa união entre os momentos da tracklist. Para quem busca um som híbrido e divertido, “Sons” é a recomendação do momento.



The Raconteurs – “Help Us Stranger”: Após se tornar um sujeito tão prolífico a partir do fim do White Stripes, eis que Jack White retoma um projeto que era sua válvula de escape nos tempos de sua ex-banda principal.

“Help Us Stranger” é um bom disco de rock, cheio de referências ao som mais clássico do estilo e um repertório bem interessante. Os criativos andamentos rítmicos são o diferencial do trabalho, que se credencia como um dos destaques de 2019.



The Raven Age – “Conspiracy”: Não dá para negar que essa banda chama a atenção por contar com George Harris, filho de Steve Harris (baixista do Iron Maiden), na guitarra. Musicalmente falando, porém, há outras menções (positivas) a se fazer.

Os maiores destaques na formação são o vocalista Matt James, de bom timbre e recém-chegado ao grupo, e o baterista Jai Patel, que inclui influências mais extremas ao groove metal do quinteto com certa naturalidade. É apenas o segundo disco, mas vejo espaço para evolução.



The Wildhearts – “Renaissance Men”: O primeiro álbum dessa boa banda britânica em uma década é, também, a retomada dos trabalhos com a formação considerada clássica: Ginger (vocal e guitarra, CJ (guitarra), Danny McCormack (baixo) e Ritch Battersby (bateria).

O instrumental responde bem, mas o destaque não poderia ser outro: Ginger, a voz e a mente por trás das músicas. Musicalmente, “Renaissance Men” resgata com certo frescor a sonoridade clássica da banda do grupo, que, certamente, merecia mais atenção dos fãs de hard rock, especialmente da vertente sleaze. As pitadas de punk rock e até de power pop são evidentes e dão uma cara única às canções.



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