Os 10 melhores álbuns de rock e metal do 1° semestre de 2020, na minha opinião


O ano de 2020 entrará na história como o ano da pandemia do novo coronavírus. Além das milhares de mortes causadas pelo vírus, todas as áreas da sociedade e de mercado foram afetadas de alguma forma. Uma das mais impactadas foi a da música, seja pelos shows que deixaram de ser realizados ou pelos álbuns e músicas que não foram lançados ao público.

Por isso, as tradicionais listas de melhores álbuns do ano, seja analisando todo o período ou apenas um recorte (como esta que considera o primeiro semestre) serão um pouco diferentes em 2020. Não houve tanta opção para se analisar, já que vários artistas adiaram ou suspenderam o lançamento de seus trabalhos.

Ainda assim, bons discos foram lançados no primeiro semestre de 2020, especialmente nos meses iniciais, antes da pandemia. Há trabalhos que chegam a surpreender, cada um dentro de seu contexto.

Listei, abaixo, os 10 melhores álbuns de rock e metal lançados no primeiro semestre de 2020, na minha opinião. Além disso, mais ao fim do texto, citei outras boas recomendações a meu ver.

Produzi, ainda, uma playlist com os destaques de 2020 – não só faixas de álbuns lançados neste ano, como, também, singles liberados por agora que antecipam discos do segundo semestre ou mesmo canções avulsas.

Coloque a playlist dos melhores do primeiro semestre de 2020 para tocar e continue lendo o texto:



Vale lembrar que vários desses trabalhos já foram comentados por mim aqui no site, seja com resenhas individuais ou com menções nas listas semanais de lançamentos, onde reúno discos e singles novos. Dessa forma, estendo o convite para que todos sigam acompanhando as publicações feitas por aqui. Sempre às sextas, divulgo uma série de novidades do rock e metal, tanto em posts no site quanto na playlist temática.

Depois, não deixe de conferir:
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Com o recado dado, vamos às minhas escolhas!

Os melhores álbuns de rock e metal de 2020 – 1° semestre

10) Lucifer – “Lucifer III”


O Lucifer chega a seu terceiro álbum, “Lucifer III” (edição em CD físico da Hellion Records), de forma mais definida, com mais “cara de banda”. A vocalista Johanna Sadonis e seu marido, o baterista Nicke Andersson (The Hellacopters, Entombed, etc) conseguiram trabalhar, juntos, em uma sonoridade mais coesa, amarrada e coletiva.

O novo álbum reúne elementos de seus dois antecessores, o psicodélico autointitulado e o pesado “Lucifer II”, com forte influência do heavy rock. Além disso, há uma “veia terror” que permeia o trabalho e, no geral, uma identidade mais bem construída. Ok, é retrô, mas não é cópia de ninguém.

– Clique para ler na íntegra a resenha de “Lucifer III, do Lucifer.



9) H.E.A.T – “H.E.A.T II”


Embora seja o sexto álbum de estúdio do H.E.A.T, “H.E.A.T II” (Shinigami Records) recebe esse título porque, segundo os músicos, o trabalho soa como se eles tivessem gravado o disco de estreia em 2019. A essência parece ser essa. Após dividir opinião com o antecessor, “Into the Great Unknown” (2017), esse novo registro apresenta aquilo que os fãs esperam: hard rock ganchudo, de forte veia melódica, mas sem abrir mão de um peso eventual.

Aqui, o meio-termo dá o tom. Enquanto o bom “Tearing Down the Walls” (2014) apostou em uma produção mais seca e com menos teclados, “Into the Great Unknown” pecou ao colocar as teclas na linha de frente. “H.E.A.T II” se equilibra nesse sentido e se assemelha muito com “Address the Nation” (2012), o primeiro com Erik Grönwall. No geral, um bom trabalho.

– Clique para ler na íntegra a resenha de “H.E.A.T II”, do H.E.A.T.



8) Buffalo Summer – “Desolation Blue”


Uma das surpresas dessa lista vem do País de Gales: o Buffalo Summer, que chega a seu terceiro álbum (segundo nas plataformas de streaming), “Desolation Blue” (Hellion Records), com maturidade. O disco foi gravado em apenas 5 dias, o que deu um caráter espontâneo ao material.

Dá para sentir que, aqui, o Buffalo Summer deu um passo além em termos de criatividade. A banda já soa muito identitária, especialmente pelo timbre grave e característico da voz de Andrew Hunt. Agora, as guitarras de Jonny Williams ficam mais soltas e as músicas, mais elaboradas, mesmo com as gravações rápidas. Um bom reforço ao misto de heavy, blues, southern e até alternativo do grupo.

– Clique para ler na íntegra a resenha de “Desolation Blue”, do Buffalo Summer.



7) Pearl Jam – “Gigaton”


Empenhado em criticar as mudanças climáticas causadas pela ação humana, o Pearl Jam entrega sinceridade e contemporaneidade em “Gigaton” (Universal Music, apenas importado). Não dava para imaginar esses caras, a essa altura da vida, fazendo um trabalho diferente desse aqui – ainda que decepcione os saudosistas que, até hoje, esperam um novo “Ten” (1991).

– Leia também: 5 descobertas posteriores sobre Gigaton, novo álbum do Pearl Jam

A acidez das letras se reflete em algumas melodias. Em outras, há uma melancolia intrínseca, que pode se explicar pela perda do amigo Chris Cornell (Soundgarden), trágico fato que atrasou o lançamento de “Gigaton”. É, no geral, um álbum mais reflexivo, diferente do rebelde antecessor, “Lightning Bolt” (2013). E não se assuste com isso: os tempos atuais pedem reflexão.

– Clique para ler na íntegra a resenha de “Gigaton”, do Pearl Jam.



6) The Night Flight Orchestra – “Aeromantic”


Mesmo sem mudanças tão fortes comparando aos últimos dois álbuns, “Amber Galactic” (2017) e “Sometimes The World Ain't Enough” (2018), o The Night Flight Orchestra conseguiu apresentar novidades em “Aeromantic” (Shinigami Records). As influências de estilos como funk e R&B aparecem de forma mais clara em algumas faixas. A veia AOR retrô segue forte, mas parece ser explorada de forma mais orgânica, não tão forçada quanto em certos momentos, especialmente, do disco de 2018.

Os músicos também não perderam a capacidade de surpreender com mudanças de andamento ou instrumentações inusitadas. Aqui, violinos aparecem em algumas faixas e os backing vocals exercem força ainda maior nas canções. Não dá para dizer se é o melhor álbum da carreira da banda, mas é, certamente, o mais coeso e mais definido em termos de direcionamento artístico.

– Clique para ler na íntegra a resenha de “Aeromantic”, do The Night Flight Orchestra.



5) Electric Mob – “Discharge”


O Electric Mob entrou para a seleta lista de artistas e bandas brasileiros que conquistaram destaque fora. Logo em seu primeiro álbum full-length, “Discharge”, que está saindo pela gravadora internacional Frontiers Music Srl e tem edição nacional da Hellion Records, este quarteto curitibano mostra a que veio, com seu hard rock moderno, de timbres gordos e necessários momentos de referências mais contemporâneas.

O grande acerto do Electric Mob em “Discharge” é não soar como outra banda. Ainda que não percorram caminhos exatamente inéditos, o caldeirão de influências antigas e atuais se mistura bem com os vocais impressionantes de Renan Zonta, resultando em um trabalho repleto de músicas acima da média. Um passo importante para consolidar uma banda que merece toda a atenção.

– Clique para ler na íntegra a resenha de “Discharge”, do Electric Mob.



4) Sepultura – “Quadra”


Evolução direta de “Machine Messiah” (2017), “Quadra” (BMG Brasil) dá um passo adiante no que diz respeito à adoção de uma sonoridade mais elaborada e inventiva. Foi uma boa sacada fazer um álbum com “quatro lados”, cada um seguindo uma ideia específica, mas não adiantaria se o repertório não se sustentasse.

Felizmente, as músicas apresentadas se firmam. Há momentos de peso, de experimento e até de abordagens mais melódicas. As performances individuais, especialmente do baterista Eloy Casagrande e do vocalista Derrick Green, oferecem um show à parte. Como é bom ver uma banda que não parou no tempo.

– Clique para ler na íntegra a resenha de “Quadra”, do Sepultura.



3) Sons of Apollo – “MMXX”


A boa estreia do Sons of Apollo com “Psychotic Symphony” (2017) foi devidamente superada com “MMXX” (Hellion Records). O segredo esteve no trabalho em conjunto: dá para sentir que, aqui, o supergrupo trabalhou como banda, apesar das claras lideranças do baterista Mike Portnoy e do tecladista Derek Sherinian, antigos parceiros de Dream Theater.

“MMXX” soa menos previsível e mais versátil. Há, claro, músicas de construção mais convencoinais, como a abertura “Goodbye Divinity” e a balada “Desolate July”, mas o quinteto surpreende em momentos como a groovy “Wither to Black” e as progressivas “King of Delusion” e “New World Today”. A união fez a força.

– Clique para ler na íntegra a resenha de “MMXX”, do Sons of Apollo.



2) Marcus King – “El Dorado”


É difícil acreditar que Marcus King tem 23 anos. O músico apresenta extrema maturidade em seus trabalhos, seja com a sua Marcus King Band ou em seu primeiro álbum solo, “El Dorado” (Fantasy Records, apenas importado).

Com produção e algumas composições assinadas por Dan Auerbach (The Black Keys), o debut solo de Marcus King vai do blues ao country em um sopro, além de apostar em formatos diferentes, como músicas mais minimalistas, e, ocasionalmente, retomar o southern rock que o consagrou antes. Parece uma questão de tempo até que esse garoto fique muito popular.

– Clique para ler na íntegra a resenha de “El Dorado”, de Marcus King.



1) Ozzy Osbourne – “Ordinary Man”


Ninguém, nem mesmo o próprio Ozzy Osbourne, esperava um álbum como “Ordinary Man” (Epic/Sony, apenas importado) a essa altura do campeonato. Produzido como forma de entreter a cabeça do Madman em meio aos problemas de saúde recentes, o disco reúne uma formação espetacular, com Duff McKagan (Guns N' Roses) no baixo, Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) na bateria e Andrew Watt na guitarra e produção, além das participações de Elton John, Slash e mais.

A sonoridade encontrada aqui é pouco planejada e mais orgânica, talvez despretensiosa. A melancolia das letras, reflexivas sobre o fim da vida, oferece um contraste em comparação às melodias, que trazem claras referências ao início da carreira de Ozzy com o Black Sabbath – algo que ele sempre evitou fazer na carreira solo. O saldo final é extremamente positivo, especialmente para um disco feito tão “de repente”.

– Clique para ler na íntegra a resenha de “Ordinary Man”, de Ozzy Osbourne.



Outros bons álbuns de rock e metal lançados no primeiro semestre de 2020, listados em ordem alfabética:
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Os 10 melhores álbuns de rock e metal do 1° semestre de 2020, na minha opinião Os 10 melhores álbuns de rock e metal do 1° semestre de 2020, na minha opinião Reviewed by Igor Miranda on terça-feira, julho 28, 2020 Rating: 5

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